OPINIÃO DO LEITOR
Uma força que vem da união
Carlos Yoshio Murate
Neste sábado comemora-se o Dia Internacional do Cooperativismo. O sistema surgiu na Inglaterra em 1844 e hoje é difundido em todo o mundo. No Brasil são mais de 7 mil cooperativas (196 delas no Paraná) com 5 milhões de associados, gerando mais de 170 mil empregos em 13 ramos de atividade.
Elas têm papel fundamental na agricultura paranaense e, de toda a produção estadual, 50% tem relação direta com as cooperativas. Somente na Cooperativa Integrada foram entregues mais de 550 mil toneladas de grãos nesta última safra de verão.
A importância das cooperativas para o Paraná vai além da economia. Diferente de uma empresa privada, as cooperativas são uma sociedade de pessoas, não de capital. Elas são uma prestadora de serviços, que leva difusão tecnológica e renda ao produtor.
Através de parcerias com intituições de pesquisas, como Coodetec, Embrapa e IAPAR, por exemplo, as cooperativas repassam novas tecnologias. Outro diferencial está na assistência técnica. As cooperativas são empregadoras de mão-de-obra qualificada (a Integrada possui 80 engenheiros agrônomos e ténicos agrícolas).
Essa preocupação se traduz em produtividade. Exemplo disso são os altos índices atingidos pelos nossos cooperados no milho. Em algumas propriedades a produtividade chega a 11.000 kg/ha, acima da média nacional de 4.200 kg/ha, igualando-se aos índices norte-americanos.
Outro fator importante está em agregar valor aos produtos primários de seus cooperados. No Oeste, as cooperativas que processam suínos e aves estão alavacancando a economia. Na região norte elas apostam na diversificação, com investimentos em sucos e alimentos, fios de algodão, derivados de milho e rações.
Para que o cooperativismo continue sendo um dos pilares da economia é preciso investir na preparação dos sucessores na agricultura.
Com o apoio do representante paranaense do Serviço Nacional de Aprendizagem Coperativista (Sescoop-Pr), a Integrada vai promover no próximo mês o 12º Encontro Estadual de Jovens Cooperativistas (Jovemcoop).
Este evento vai reunir em Londrina mais de 600 filhos de cooperados para discutir temas ligados à agricultura e ao futuro do cooperativismo.
Carlos Yoshio Murate
Diretor-presidente da Cooperativa Integrada
Ricardo G. Strenger
Conflitos
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) em comunicado do dia 26 de junho de 2003 repudia a Instrução Normativa nº 08 de 11 de junho de 2003, do Ministério da Agricultura (Mapa), que aprova o Regulamento Técnico de Identidade e de Qualidade para a Classificação do Café Beneficiado Grão Cru.
Como já dissemos, em artigo anterior, esta instrução tem grande alcance econômico para o agronegócio café, melhorando a qualidade e valorizando o café comercializado no Brasil, e em última análise favorecendo o consumidor.
Ao que tudo indica, a indústria é favorável, porém os exportadores se sentiram prejudicados, afirmando que as regras criam ''óbices à circulação do café''.
Os exportadores comercializam a maior parte do café produzido no Brasil, comprando café de toda qualidade e preparando-os para exportação vendendo os ''resíduos'' às torrefações nacionais.
Todos os defeitos e impurezas do café são descontados no ato da comercialização e, portanto, os produtores nada recebem por esses resíduos.
Acreditamos na visão moderna dos exportadores, enxergando o lado altamente positivo da atual medida para o agronegócio café, que continuará assim exercendo sua liderança mundial.
O grande mérito desta Instrução Normativa é o de retirar do mercado os cafés ''fora de tipo'' gerando uma valorização do café com a retirada de alguns milhões de sacas de ''café'' do mercado.
No âmbito da OIC (Organização Internacional do Café) estas mesmas medidas ora adotas já estão em discussão há anos e há um certo consenso da necessidade de implanta-las. Curiosamente esta entidade é palco mais dos negócios do que do agro (produção primária). A OIC não possui instrumento para que as normas sejam adotadas e o MAPA nos forneceu o instrumento jurídico para a execução das medidas preconizadas por toda sociedade cafeeira.
Os segmentos da cafeicultura, os produtores, o CNC (Conselho Nacional do Café), assim como a indústria que é a principal interessada em qualidade devem estar unidos, dando apoio a esta medida do Sr. Ministro da Agricultura.
Interesses conflitantes na cadeia produtiva são importantes para superarmos dificuldades de encontrarmos novas modalidades de relacionamento entre governo e setor privado que permitam visão clara do agronegócio café. Com a atual medida, o Estado brasileiro se mostra capacitado a exercer sua moderna função regulatória. Reiteramos nossos elogios ao Ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.
®MD77¯(*) ®MDNM¯Presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores (APAC)





