Agricultura familiar

Hoje, quando o termo Agricultura Familiar ou mais especificamente o PRONAF (Programa Nacional da Agricultura Familiar) torna-se mais evidente no setor agropecuário - e, mais ainda, a partir das repetidas vezes citadas pelo Presidente Lula e mais recentemente com o anúncio de mais recursos de crédito para esta categoria de agricultores - parece que, para a maioria da população, esta questão é uma coisa nova ou chegou com o novo governo federal.
Na verdade, isto tem história. A luta para colocar em pauta e mantê-la na agenda dos governos já tem quase 10 anos. Surgiu a partir da nova organização sindical da região centro sul e sudoeste do Paraná, aliado aos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, quando hoje então já existe a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar - FETRAF - Sul, representando uma base social de 300 mil famílias e 907 mil agricultores e agricultoras familiares da região Sul do Brasil.
Desta forma, quando hoje o Governo Federal demonstra apoio a esta categoria de agricultores, isto é uma conquista que realmente merece o reconhecimento de toda sociedade, pois certamente vem demonstrando que é mais viável manter as famílias no campo, do que deixá-las migrar para a cidade.
Numa sociedade capitalista, o que se destaca são os valores financeiros, como no caso o anúncio de crédito de 5,4 bilhões destinados pelo Governo Federal para o financiamento da agricultura familiar neste ano de 2003.
Certamente que dará uma injeção de ânimo para estes agricultores, principalmente porque, tende a ser menos burocrático e com juros mais baixos, de modo a facilitar o acesso e o uso para muitos pequenos agricultores que ainda tem medo dos bancos e/ou que nem conseguem entrar nos mesmos.
Porém, não é só dinheiro que determina o Movimento da Agricultura Familiar.
Junto com o crédito deve permanecer a possibilidade da criação das Cooperativas de Crédito Solidário - Sistema Cresol, as quais já existem no Sudoeste do Paraná e funcionam muito bem.
Essas cooperativas, desenvolvendo principalmente a questão do micro-crédito, possibilitam a organização e a capacitação dos agricultores. Em Londrina, já há a movimentação dos agricultores familiares para a criação da Cooperativa de Crédito Solidário, que deve ser fundada até o final de 2003.
Além disso, busca-se também a valorização do jovem rural e da agricultora, inclusive com a possibilidade de linhas de crédito específicas para estas categorias, incentivando-as a produzir e permanecer no campo.
Para que isto ocorra há a necessidade da reconversão dos sistemas de produção e do modo de produzir destes agricultores. Neste caso, entra outro ponto do movimento, que é a ampliação da Assistência Técnica e da Pesquisa, visando assim atender os agricultores familiares, dando-lhes prioridade.
* Nilson Roberto Ladeia Carvalho é agrônomo e Secretário Municipal de Agricultura e Abastecimento de Londrina.

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