Muitos produtores usam uma ‘‘arma secreta’’ para alcançar os excelentes índices de produtividade que o agronegócio brasileiro vem apresentando nos últimos anos. São as viagens técnicas. Os resultados da iniciativa superam as expectativas.
  O campo é um dos grandes responsáveis pelos superávits da balança comercial brasileira e um dos principais propulsores da economia nacional, respondendo por mais de um em cada três reais gerados pelo país e por 42,5% das exportações. O saldo da balança comercial do agronegócio alcançou US$ 26,2 bilhões no acumulado de janeiro a setembro de 2004, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
  É obvio que apenas viajar ao exterior não basta para obter boas safras. É preciso colocar em prática o que se vê nos países visitados. Mas é nessas excursões que os agricultores visualizam a importância de se investir em novas tecnologias, aumentar a área plantada e aperfeiçoar as técnicas de plantio, cultivo e colheita, entre outras ações que devem ser tomadas.
  As viagens são fonte de preciosos conhecimentos. O visitante tem a oportunidade de fazer comparações e, depois, de analisar detalhadamente a conjuntura de seu negócio. Por exemplo, de uma viagem técnica pode nascer um grupo de pressão que enfatize a necessidade de o governo brasileiro investir em infra-estrutura e logística, para facilitar o escoamento da produção e baratear os produtos nacionais, tornando-os mais competitivos.
  Os agricultores também passam a entender melhor as informações passadas por técnicos, consultores e analistas sobre a safra mundial de determinado produto e qual deve ser o principal investimento na próxima safra. A bagagem volta recheada de dados financeiros, novas técnicas de produção e amplo conhecimento sobre as últimas tendências do setor.
  As viagens técnicas a outros países fazem parte da estratégia de crescimento do agronegócio. Contribuem, nos momentos mais críticos, na tomada de decisões sobre plantio e comercialização de produtos. Em determinados momentos pode ser vantajoso estocar a produção, em outros, executar a venda antes da colheita. Muitos dos conhecimentos são trazidos dos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Argentina e outros países que são reconhecidamente líderes na produção de determinadas commodities ou detêm tecnologias avançadas.
  Não basta, porém, colocar um grupo de interessados em um avião e acompanhá-lo ao exterior. É preciso saber o momento ideal, definir o local mais adequado e selecionar os contatos no país escolhido, para que a viagem cumpra os objetivos propostos. É inútil levar um produtor de laranja para conhecer plantações de trigo na Argentina ou um produtor de trigo aos laranjais da Flórida, nos EUA. O roteiro certo, na época certa, é o ponto de partida para que o agricultor volte ao Brasil com amplo conhecimento do negócio.
  Por isso, para se alcançar os melhores resultados com essas viagens, são contratadas empresas especializadas na elaboração dos roteiros, com uma agenda técnica criteriosa e coordenadores que acompanham tudo passo-a-passo. Dependendo do país, um bom tradutor técnico é imprescindível para passar informações sobre produção, clima, solos e novas tecnologias aos grupos.
  Essas empresas precisam ter vasta experiência em agronegócio, conhecer o calendário de plantio, cultivo e colheita de cada um dos produtos, ter os melhores contatos com associações, produtores, analistas de mercado, cooperativas e universidades, para viabilizar a agenda técnica e, ao mesmo tempo, permitir a observação plena do negócio. Só desta maneira o grupo conseguirá realizar todas as visitas e estudos necessários.

* Marcio Moreno é diretor de Planejamento da Traveland Eventos e Incentivo, formado em Administração de Empresas pela FAAP e pós-graduado em Hotelaria e Turismo pela FGV-SP

mockup