OPINIÃO DO LEITOR - Um novo caminho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de agosto de 2003
Luiz Meneghel Neto (*) 
Muitos criadores têm me perguntado, via e-mail ou por telefone, se o Limousin realmente tem potencial para suportar as condições brasileiras e, ao mesmo tempo, dar lucratividade.
Eu respondo e garanto que sim. São inúmeras as vantagens apontadas pelos criadores que utilizam a raça Limousin: alta adaptabilidade, rusticidade, ótimo rendimento de carcaça, precocidade sexual, precocidade de acabamento, excelente rendimento de carne comestível, ganho adicional de produtividade de 20% no cruzamento industrial, entre outras.
Na minha opinião, basta apenas repensarmos para que finalidade queremos produzir o Limousin: se é para atender ao mercado de produção de carne ou se queremos um animal de exposição.
Recentemente estive na França - país berço do Limousin - e presenciei em diversas visitas por criatórios daquele país que a maior preocupação dos agropecuaristas europeus é produzir animais que atendam aos interesses da indústria frigorífica e, principalmente, satisfaçam a vontade do consumidor.
Constatei nestas visitas que, em sua maioria, os animais criados a pasto e com um mínimo de suplementação, além de serem saudáveis, apresentam extrema adaptabilidade; convivem com temperaturas elevadas e são selecionados por um rígido Programa de Performance estabelecido com o aval do governo francês, das associações de criadores e das cooperativas de produtores rurais.
Sabemos, atualmente, que a remuneração do setor agropecuário brasileiro está bem aquém do desejado. Mas, também temos a consciência de que os produtores que se atentam a requisitos como bom padrão de qualidade, baixo custo de produção, alto controle sanitário e constante trabalho de melhoramento genético conseguem sobreviver a qualquer alternância da economia nacional, e até mesmo vencer os distúrbios de caráter mundial.
Não tenho dúvida, e ressalto que a Raça Limousin tem capacidade de produzir carne de ótima qualidade com um baixo custo de produção. Há anos, criadores que pertencem ao quadro de associados da Associação Brasileira dos Criadores de Limousin vêm realizando este trabalho com muito êxito, obtendo retornos fantásticos e acompanhando constantemente as mudanças do setor agropecuário. Temos na ABCL um vasto material de arquivo que garante tranquilamente este posicionamento.
Volto a enfatizar: a raça Limousin tem demonstrado todas as qualidades que citei, em qualquer lugar do mundo! E adaptando-se muito bem as diversas condições climáticas. Mas, se queremos ter um crescimento consistente no setor pecuário e obtermos o ganho esperado precisamos ficar atentos às exigências de outros elos da cadeia produtiva de carne. O agropecuarista do século XXI deve obedecer a três pontos básicos: produtividade com baixo custo, uso de tecnologia de ponta e sanidade.
* Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Limousin


