Dizem os manuais de marketing que ''quem faz qualidade faz a diferença e atende às expectativas do mercado''. Na cafeicultura paranaense, agricultores familiares estão fazendo diferente, produzindo dentro da porteira um café de qualidade. A questão complica quando o resultado da comercialização não coloca melhor remuneração no bolso de quem produz.
Uma saca de 60 kg do melhor café, vendida pelo produtor pega apenas 195 reais nos contratos de opção de venda, embora gere na xícara um volume financeiro assustador, superando 5.760 dólares, isto é, a saca de 48 quilos torrada e moída colocada ao preço de 1 dólar a xícara do café expresso.
Pergunta-se: por que aviltar o produtor com o baixo preço da saca de qualidade? A resposta e a solução estão aqui mesmo, na realidade brasileira.
Na implantação do Plano Integrado de Revitalização da Cafeicultura, no início da década de 90, começou o trabalho de mudança da imagem do café do Paraná. A primeira ação foi levantar a auto-estima dos produtores, reconhecendo sua competência em enfrentar desafios e substituir o modelo.
De lá para cá, a coisa mudou. A pesquisa respondeu com tecnologia de ponta, a extensão usou metodologias na difusão do conhecimento técnico, o produtor aceitou. Foi criada a Câmara Setorial do Café.
No Paraná, o café é planta Coffea arábica, cultivada de forma adensada e de alta produtividade, mudas apropriadas, frutos colhidos maduros no pano, secado natural no terreiro, beneficiado e classificado. Esse esforço para que saia da propriedade o café de qualidade, no padrão de bebida dura para mole e tipo 6 para baixo. Na produção arábica participam 17 mil produtores (135 mil ha), que produzirão na próxima safra 2,4 milhões de sacas beneficiadas.
Sair do preço vil e aumentar a renda depende da tomada de decisões da cadeia produtiva do café. A classe produtora tem que se organizar na proteção do puro arábica. Ao saber que apenas quatro grandes empresas exportadoras respondem 60% do consumo mundial, é fundamental enfrentá-las como concorrentes desse mercado globalizado abrindo novos mercados com o café torrado, moído e embalado pelos próprios produtores.
O padrão do Café Qualidade Paraná assegura os atributos de sabor e aroma para atender os exigentes consumidores e permitir que o produtor tenha a remuneração justa pela qualidade, porque ele é sim, um dos melhores café do mundo, confirmado pelos importadores, que, pelo porto de Santos levam para fora do país mais de 70% da produção paranaense, sob alegação de que é café fino de regiões mineira ou paulista.
* Engenheiro agrônomo, implementador do Projeto Café da Emater.
** Jornalista, assessor de comunicação e marketing da Emater-Paraná.

mockup