A cafeicultura mundial atravessa uma longa fase de preços abaixo do custo que depaupera os produtores, atingindo limites que ameaçam uma possibilidade de recuperação. Não poderia e não é diferente a nossa situação como produtores de café no Paraná. Somadas as dificuldades reais o setor enfrenta um sentimento de desânimo que se não for combatido nos levará ao desaparecimento.
  Fica difícil pregar otimismo neste momento, mas é indispensável a união de todos para evitar o abandono da atividade. Há soluções. O mercado nos deve uma importante correção nos preços apoiada em fundamentos sólidos: produção mundial em queda, estoques mínimos, consumo crescendo.
  Mas há a intervenção de grandes fundos de commodities com impensável volume de recursos que operam de maneira danosa aumentando e lucrando com a volatilidade. Essa volatilidade só a eles interessa causando danos à produção, agravando a baixa nos valores pagos aos produtor e, certamente, vão chegar ao consumidor com preços mais altos.
  A recente alta nos preços do café pouco beneficiará o produtor, porque pode estimular novos plantios provocando maior oferta e queda nos preços. No ciclo de baixa das cotações nem mesmo o consumidor leva vantagem. Pois a queda de preços que poderia estimular um aumento no consumo, se restringe ao produtor e não chega ao mercado.
  Não podemos assistir a isso inertes. É necessário política anticíclica, regulamentos. Atentem que busco regulamentos e não intervenções.
  Poderemos então sonhar com uma atividade rentável. Com sustentabilidade, incluindo aí a do lavrador.
  O Paraná já foi o maior produtor, agora quer ser o melhor. Seremos, tenho certeza.

(*) Presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac)

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