OPINIÃO DO LEITOR - O retorno do IBC
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de abril de 2004
Luís G. Papi Fernandes (*) 
Não quero ser saudosista mas a proposta que coloco neste artigo seria a mais sensata de todas, pois, em tudo que se comercializa nesse globo, existe um preço mínimo, uma garantia ou uma vávula de escape, talvez. O café não pode ser exceção.
Depois da extinção do IBC o cafeicultor ficou na mão do especulador, o mercado é muito agressivo e manipulado pelos tubarões, que são especialistas nessa área, enquanto que o produtor, encontra-se despreparado para essa tarefa, que é a de comercializar por si só seu tão sofrido produto.
Não estou aqui querendo ressuscitar nada nem ninguém. Sei que o antigo e saudoso IBC tinha suas falhas, como qualquer orgão as tem, mas em épocas de crise estaríamos mais protegidos. Mas, como tudo que vive ao longo do tempo sofre mutações, devemos criar um novo IBC (que não deve ter necessáriamente esse nome, só utilizo-o como fonte de referência nas nossas mentes).
Esse novo órgão (se assim o podemos chamar) seria uma ferramenta reguladora de mercado, colocaria nosso café arábica no mercado internacional em parcelas estrategicamente planejadas. Assim, o Brasil, como maior produtor de café em quantidade e qualidade, regularia tanto mercado quanto consumo e preços e nós produtores brasileiros teríamos preços mínimos que sobrepujariam os custos de produção.
Poderíamos saldar nossos compromissos, resgatar nossa imagem como elo forte da cadeia do agronegócio brasileiro, e não como somos vistos pela sociedade e pelos políticos de nosso país, como empresários rurais que só pegam dinheiro a juros baratos e não saudamos nossos compromissos (como se isso fosse uma verdade).
Isso é somente um esboço da minha idéia para reestruturação do atividade café, e o retorno da atividade para o local de onde nunca deveria ter saído, ou seja, o maior ou um dos maiores contribuintes para o sucesso do agronegócio brasileiro e com participação direta no nosso PIB.
(*) Engenheiro agrônomo, especialista em agronegócios, de Santo Antônio da
Platina (PR)


