O momento é mais do que oportuno para falarmos em sanidade animal. Afinal, nos últimos meses foi possível acompanhar de perto vitórias e derrotas envolvendo a saúde dos animais de produção.

Fora do Brasil, os problemas sanitários são intrigantes e podem nos trazer grandes lições. De um lado, o inesperado do mal da vaca louca nos Estados Unidos, país detentor de um do melhores sistemas de defesa sanitária. De outro, a gripe das aves em uma dezena de países da Ásia, responsável pelo sacrifício de milhões de aves e pela morte de 19 pessoas. E, com surpresa chega a confirmação de um foco do vírus da gripe aviária no Estado de Delaware, Estados Unidos.

O que esses casos nos dizem? Que nenhum país está livre desses males e é essencial ter sistemas de defesa eficientes, capazes de evitar as doenças. Afinal, o sucesso da agropecuária está ligado à saúde.

É por esses motivos que comemoramos a decisão do governo de priorizar a sanidade animal em 2004. O anúncio de orçamento de R$ 68 milhões à defesa sanitária, superior aos R$ 10 milhões de 2003, e outros R$ 60 milhões para o controle sanitário, demonstra atenção ao problema.

Se o governo levanta a bandeira da sanidade está mandando um aviso aos produtores e técnicos sobre controle da saúde dos animais, seja vacinando ou fiscalizando serviços. Essa decisão também desafia a indústria veterinária a criar serviços diferenciados, tornando-se parte do sucesso da cadeia da produção animal.

Com mais recursos será intensificada a fiscalização dos produtos e, no caso da pecuária, serão incrementados e modernizados os programas de sanidade, como raiva, brucelose e clostridioses, chegando mais perto da erradicação dessas doenças de terceiro mundo.

Não podemos esquecer dos benefícios que a estrutura de vigilância e controle sanitário animal proporciona em relação ao mercado. Afinal, a sanidade é utilizada como barreira às exportações de produtos de origem animal. A bovinocultura, a avicultura e a suinocultura enfrentam tais obstáculos.

Por outro lado, avançando na manutenção da sanidade dos nossos plantéis, atendemos as exigências dos consumidores mais exigentes, preocupados com a segurança alimentar. Vejam que o trabalho está só começando, mas já proporciona resultados.

A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina criou um grupo de trabalho para fazer o planejamento estratégico da defesa sanitária do rebanho e outro para preparar recomendações técnicas à prevenção do mal da vaca louca. Foram liberados R$ 7,1 milhões para os programas de defesa animal e vegetal de 12 estados, com ênfase no controle da febre aftosa, prevenção e controle de brucelose, tuberculose, raiva dos herbívoros e doenças dos suínos, trânsito de vegetais e controle de doenças exóticas.

Além disso, os recursos do orçamento para a sanidade animal já permitem intensificar as ações de prevenção à influenza aviária no País, a partir do reforço no programa de capacitação de técnicos especializados no combate à gripe do frango e revisão da legislação sanitária sobre avicultura. E mais vitórias certamente virão.

Presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

mockup