OPINIÃO DO LEITOR - O caminho da pecuária
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de julho de 2003
Maria Lúcia Abreu Pereira 
Investir em genética é determinante para o retorno econômico. Essa questão independe se o projeto objetiva seleção de gado puro ou para cruza industrial. Mais importante do que discutir a raça ideal, é buscar produtividade.
Há uma década, a idade média de abate no Brasil superava os quatro anos. Atualmente, quem não consegue preparar os animais para o frigorífico com menos de três anos está perdendo dinheiro. Os produtores têm de analisar com cuidado as opções disponíveis.
Quanto ao acasalamento entre duas raças, o vitorioso é o que cruza um animal de linhagem européia (bos taurus) com um zebu (bos indicus). O choque de sangue, ou heterose, une no produto as características mais importantes das duas raças utilizadas. No entanto, é preciso ter cuidado; tem de saber o que se deseja. Alguns pontos importantes para isso: traçar um objetivo, considerar a localização geográfica da propriedade e as peculiaridades climáticas, escolhendo uma raça propicia a produzir nessa região, e ainda conhecer bem o manejo da própria fazenda.
Fica mais fácil encontrar a melhor opção entre as raças taurinas disponíveis. O passo seguinte é saber quais os seus atributos determinantes, como adaptação, fertilidade, carcaça, temperamento, facilidade de parto, habilidade materna e precocidade. É imprescindível adquirir genética provada a pasto; mas somente de criatórios que façam seleção, já que estes submetem os animais a severa avaliação e possuem DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie) comprovadas para atributos essenciais à produtividade.
Como opções rentáveis, as raças adaptadas estão em ascensão no Brasil por possuírem adaptabilidade, sangue europeu e carne de qualidade, com a maciez e a suculência tão cobiçadas pelo mercado. A Fazenda Mariópolis, aposta nas qualidades do Caracu, e estamos obtendo sucessos consecutivos. Em termos de precocidade sexual, as fêmeas estão emprenhando aos 14 meses de idade, assim como os machos já estão aptos a reproduzir aos 14 meses. Nossa taxa de prenhez alcança 95%. Recentemente sete dos nossos melhores reprodutores estiveram em coleta na Central Bela Vista e tiveram produção média de 250 doses de sêmen industrializadas por coleta, com picos de 550 doses.
Agora, imaginem todas essas qualidades associadas ao nelore.
Para que o pecuarista obtenha sucesso na atividade, é fundamental fazer avaliações genéticas e funcionais periodicamente, descartando os animais que não atingirem determinados parâmetros de qualidade. O programa de melhoramento genético da Fazenda Mariópolis, por exemplo, submete os machos Caracu a um rígido teste de performance produtiva e reprodutiva, que avalia as características de ganho de peso, musculosidade, perímetro escrotal, adaptação, pernas, aprumos e cascos, comprimento e altura, resistência ao calor, espessura do couro e resistência à infestação de carrapatos.
Convencida de que as raças adaptadas são diferenciadas e têm importante papel a desempenhar, estou investindo em duas opções que chegaram há pouco tempo no Brasil: as raças Bonsmara e Senepol. Quem quiser conferir de perto a genética dessas raças adaptadas pode nos fazer uma visita ou participar do 1º Encontro das Raças Adaptadas da Fazenda Mariópolis, que acontecerá dia 25 de outubro, na véspera de nosso leilão anual.
(*) A autora é proprietária da Fazenda Mariópolis, em Itapira/SP, (19) 3913-2417, e-mail [email protected]


