Em recente viagem à Europa verificamos o glamour que o café representa. A maioria das fachadas traz a palavra café, a única de compreensão universal.
O café está presente em todos os estabelecimento. A qualidade na maioria das vezes é péssima e sem identificação ao consumidor.
O Brasil, maior produtor mundial, em quantidade e em qualidade não aproveita o ambiente que existe para desenvolver sua marca e agregar valor aos produtores primários.
Os subsídios são uma constante. Não acreditamos que sejam suprimidos facilmente em países que passaram por 2 guerras mundiais e fome.
O primeiro mundo, num processo avassalador e inteligente, avançou sobre o mundo em desenvolvimento em busca de matéria-prima e novos mercados. Numa ingenuidade flagrante, os brasileiros se curvaram ao estrangeiro e até financiaram e financiam empresas do Primeiro Mundo para aqui se estabelecerem em busca de mercado, matéria-prima e mão-de-obra barata.
Não se assustem ou se vangloriem os brasileiros se num futuro breve nos tornarmos exportadores de café torrado e moído. Mas estas exportações, com certeza, se darão através das multinacionais daqui que enviarão cafés para elas mesmas com mercado garantido através de suas filiais na Europa e Estados Unidos.
O avanço das multinacionais do setor avassalador e os lucros do valor agregado, com certeza, são para seus cofres.
Nós temos capacidade suficiente de inverter este processo. Devemos usar as mesmas armas e partirmos para o exterior através da iniciativa privada numa posição agressiva de mercado adquirindo torrefações no 1º mundo e exportando café cru para agregar valor através de mercados já consolidados das empresas adquiridas.
Neste jogo internacional cafeterias serão abertas ou adquiridas, que agregarão mais valor ao café brasileiro e também servirão de excelente marketing.
A futura Associação Brasileira de Café Arábica (ABCA) tem em seus objetivos a conquista do mercado exterior. Não poderíamos deixar de dizer que a proposta acima terá como interlocutora a ABCA e deverá ser instrumentalizada pela sociedade cafeeira do Brasil, incluindo aí o café Robusta/Conillon brasileiro.
Não há o mínimo intuito de prejudicar qualquer setor, mas continuamos defendendo a idéia de que os 2 cafés devam ser identificados ao consumidor através da rotulação.
Neste momento tão grave devemos pensar em novas estruturas e propostas para a cafeicultura brasileira. É por isso que a ABCA (Associação Brasileira de Café Arábica) lançará a Multinacional Brasil-Café.
* Presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores
E-mail: [email protected]

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