O sistema de integração agricultura/pecuária constitui na diversificação da produção no campo, possibilitando o aumento da eficiência de utilização dos recursos naturais e preservação do ambiente. Seu emprego oferece uma redução dos custos e melhor aproveitamento da infra-estrutura da propriedade, além da reforma de pastagens e a melhoria do solo. Mas podemos ainda ter as vantagens da rotação de culturas, com a soja, o sorgo e o milho e um controle efetivo de pragas invasoras - devido à rotatividade das culturas, o que ajuda a preservar o solo.
Outra vantagem é a melhoria da renda do produtor, em virtude do incremento da produtividade.
Isto não é assunto novo. Após a abertura dos cerrados, a formação de pastagens foi precedida de culturas anuais. Novidade mesmo para nosso país é a rotação lavoura/pastagem.
Em Cuba há mais de seis anos, o Instituto de Pesquisa de Pastos e Plantas Forrageiras (IIPF), vem demonstrando que os sistemas de integração podem ser uma opção sustentável.
No Brasil, trabalhos técnicos com o sistema de renovação de pastagens no verão, utilizando sorgo para pastoreio, tem conseguido ganhos médios superiores a 0,9 Kg/dia com lotações de 4.UA/ha (UFSM 1995). O sistema é altamente compensador porque, no momento que se expande a área cultivada de soja, podemos numa pequena área (25%), concentrar todo o rebanho em função desta capacidade de lotação. Entre os resultados, ocorre a redução da idade de abate (de 6 a 12 meses) - para animais de corte e maior produção de leite, em torno de 30%, durante a entressafra.
No cerrado, onde a necessidade de rotação de culturas se evidencia ainda mais pela incidência de doenças e pragas, a integração soja/milho/feijão, com a sucessão do uso de pastagens de braquiárias, tem obtido excelentes resultados.
No Paraná, também temos conseguido ganhos fantásticos com este tipo de manejo, já que em muitas propriedades com estrutura voltada para a agricultura, podemos lançar mão desta integração, com resultados bastante surpreendentes. Um bom exemplo é o caso da Agropecuária Ipê, em Mandaguaçu, que superou o patamar de 100% na produtividade do rebanho, mais que dobrando a quantidade de unidade animal/ha, com a utilização do sistema de integração. Por ser o Paraná predominantemente agrícola, há outra vantagem a ser observada: a abundância de subprodutos, com baixos custos de aquisição que favorecem a terminação de animais em confinamento.
Portanto, a técnica de integração lavoura/pecuária propicia o aumento da produtividade e rentabilidade do produtor, conseguindo a sustentabilidade da atividade agropecuária.
(*) Pedro Luiz Alves Nunes é médico-veterinário e técnico responsável pelo Programa Extralim - Araucária Genética Animal

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