Como outra atividade, o objetivo da pecuária é gerar lucro. Para que isso aconteça é preciso adotar a gestão empresarial. Afinal, produzir animais melhoradores é um empreendimento que envolve riscos.

O pecuarista deve fazer uma dura e fria análise do seu negócio. Será que ele está naquele ponto ideal e não há nada de novo a fazer? Nenhum ajuste ou melhoria? Duvido.

A tecnologia da informação é grande parceira. Isso vale até para as coisas mais simples, como a contratação de mão-de-obra. Vale mais à pena contratar sem critério ou investir mais e contar com pessoal qualificado? Já pararam para avaliar os benefícios em produtividade, geração de receitas e melhoramento a partir do trabalho de veterinários, agrônomos e zootecnistas? Esse time agrega qualidade aos produtos e facilita a gestão da propriedade.

E quanto aos pilares da pecuária: nutrição, sanidade, genética?

A tecnologia existe para nos ajudar a produzir melhor. Algumas dicas:

Nutrição - O desenvolvimento corporal do bovino exige bom pasto que, por sua vez, requer solo fértil. No Brasil, a maioria dos solos necessita de calagem e correção. O pasto exige manejo, respeitando-se altura de corte, tempo de descanso. Em caso de degradação, a solução é reformar.

Suplementação - Em conjunto com a boa pastagem, a suplementação mineral é indispensável para aumentar os índices produtivos. Na Fazenda Mariópolis (Itapira, SP) utilizamos complexos orgânicos de liberação controlada. Na última estação de monta a média foi de 97% de taxa de prenhez e o ganho de peso dos tourinhos foi de 1,059 kg/dia em média, durante teste de performance de 120 dias.

Melhoramento genético - A realização de um teste de performance identifica os animais que realmente estão respondendo ao investimento por meio de suas DEPs (diferenças esperadas na progênie). Quanto mais positiva a avaliação para os critérios desejados, maior será a renda do produtor.

Reprodução - Para ter sucesso na reprodução a regra é determinar uma estação de monta. O período aconselhável é de novembro a fevereiro, época de maior fertilidade. Há, também, as opções de inseminação artificial, transferência de embriões e fertilização in vitro.

Controle sanitário - Nenhum mercado vai comprar boi com aftosa, brucelose ou outra doença. Então é importante seguir o calendário profilático estabelecido. O alimento do boi é o capim; nada de cama de frango ou farinha animal.

O mal da ''Vaca Louca'' é um perigo.

Rastreabilidade - A rastreabilidade é caminho sem volta. Alguns frigoríficos já pagam R$ 1,00 a R$ 2,00 pela arroba do boi rastreado. Mas, ganhar mercado não é o único benefício. Os ganhos na gestão da propriedade são inúmeros, como o maior controle do rebanho e da produção. Rastreamos o gado desde 2001 na Fazenda Mariópolis.

Produtividade - Para finalizar, uma observação pessoal em uma década de investimentos na pecuária: quem não conseguir terminar o animal com menos de 24/30 meses de idade está perdendo dinheiro.

(*) Proprietária da Fazenda Mariópolis (Itapira, SP), que seleciona gado caracu, bonsmara e senepol.

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