De tempos em tempos a agricultura é sacudida por ameaças ou riscos. Muitas vezes, por questões de mercado, outras por questões técnicas e, às vezes, climáticas.
Nos anos 70 convivemos com o impacto da chegada no Brasil da ferrugem do café. Naquela época, proporcionalmente, o número de engenheiros agrônomos era bem menor que o atual. Na ocasião, o Instituto Brasileiro do Café (IBC) mobilizou, não só os profissionais, como também, estudantes do último ano de agronomia para uma ampla campanha de esclarecimento e orientação aos produtores. De lá para cá foram registrados vários problemas técnicos graves na agricultura e, se focarmos somente a soja, podemos exemplificar várias situações ocorridas com doenças, insetos e plantas daninhas.
É recente a detecção do nematóide de cisto em nosso País, mas apesar dele, continuamos no mercado. E fortes.
Começamos 2004 com a assustadora ferrugem asiática em nossas lavouras. E agora? O que o futuro nos reserva? O grande negócio da soja está chegando ao fim? Talvez sim para alguns, e com certeza, não para a maioria. Sim para alguns? Exatamente, pois aqueles agricultores que não levam as contas na ponta do lápis e que não avaliam com extrema precisão o uso de insumos correm riscos de participar de um negócio de baixa rentabilidade.
O controle da ferrugem asiática pode representar aumento ou não do custo de produção, por isto, devemos refletir bem em que casos devemos aplicar o fungicida, quando e qual produto. Estas e outras respostas deverão ser dadas pelos engenheiros agrônomos que, num trabalho de estreita cooperação com os produtores, poderão fazer com que a soja brasileira continue competitiva, especialmente nos momentos de baixo preço.
Temos que saber conviver com esta doença. Isto é o que nos ensina a experiência do passado, a exemplo da ferrugem do café.
A ferrugem asiática trouxe à tona o papel do engenheiro agrônomo no processo produtivo. Este profissional trabalha na pesquisa, no ensino, na assistência técnica e em vendas. Todos tem um único objetivo: a orientação aos produtores pautada em critérios éticos e técnicos.
Tal qual ocorre com as plantas daninhas e insetos, a palavra de ordem deve ser ''manejar''. Manejar significa gerenciar, administrar. Neste caso, administrar um problema chamado ferrugem asiática. Através do monitoramento, o engenheiro agrônomo saberá o momento certo para intervir e como intervir, dentro de padrões que levem em conta, também, a manutenção e a sa© úde financeira do agricultor. Cabe a ele avaliar a relação patógeno-ambiente-hospedeiro.
Estamos todos aprendendo sobre a ferrugem asiática e a Embrapa tem tido um papel preponderante neste processo.
Portanto, poderemos sobreviver a mais esta ameaça que, sem dúvida, é de grande risco. Para isto, é necessário que, cada vez mais, as questões técnicas se sobreponham.
* é diretor-técnico da AEA/Londrina

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