OPINIÃO DO LEITOR - Em busca da qualidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de dezembro de 2003
Luiz Meneghel Neto * 
Identificar novos nichos de mercado e, principalmente, atender às exigências do consumidor mundial, ofertando uma carne de altíssima qualidade. Este será, a meu ver, em 2004, o principal desafio do agropecuarista brasileiro e de outros elos da cadeia produtiva.
Segundo projeções da CNA, o Brasil, até o final do ano, vai exportar mais de 1,3 milhão de t de carne bonina e poderá arrecadar uma quantia superior a US$ 1,5 bilhão. O segmento bovinos (carne, couro, peles, calçados e lácteos) representa o terceiro complexo do agronegócio, com 220 milhões de ha de pastagens, 1,8 milhão de propriedades, sete milhões de empregos, 700 empresas industriais de processamento, 100 estabelecimentos de armazenagem e 55 mil pontos de comércio varejista. Números que impressionam, mas que também aumentam a responsabilidade social do setor agropecuário nos próximos anos.
Neste contexto, creio que uma grande contribuição para o aumento dos índices de produtividade e do padrão de qualidade da proteína vermelha poderá ser dada por um dos sistemas praticados na pecuária moderna e que vem sendo discriminado erroneamente nos últimos meses: o cruzamento industrial. Mas, quando falo em cruzamento industrial, digo o produto que, além de adicionar um ganho de produtividade de 20% e apresentar a capacidade de se aperfeiçoar e atender aos diferentes tipos de consumidores, prima por colaborar no melhoramento genético das raças utilizadas no processo.
Na posição de criador de Limousin e Nelore, e praticante incansável do cruzamento industrial, penso também que, além de lutarmos por uma remuneração mais justa para o setor, precisamos ofertar um produto de qualidade. E aqui não posso deixar de citar duas características que tenho observado com os produtos Limousin: o alto rendimento de carcaça e, em segundo, aquilo que a indústria frigorífica conhece e faz questão de sempre querer mais: o enorme potencial de rendimento de carne na desossa. Com ossatura fina e padronização das carcaças, os produtos Limousin alcançam na desossa um desempenho superior entre 15% e 20% em comparação com outras raças. Para exemplificar este diferencial, em 2003, o Departamento Técnico da Associação Brasileira de Limousin acompanhou vários abates com produtos de cruzamento industrial (1/2 sangue Limousin x Nelore), criados a pasto, que apresentaram rendimento de 55%, cobertura de gordura entre 5 mm e 8 mm, e foram classificados de carne para tipo exportação.
Já conseguimos demonstrar para todos que a pecuária brasileira é bastante competitiva com relação ao preço dos produtos comercializados. Creio que se queremos nos manter na liderança do mercado mundial de exportação de carne bovina e atrair novos consumidores é preciso melhorar ainda mais a qualidade do nosso produto.
(*) Luiz Meneghel Neto, produtor rural e conselheiro da Associação Brasileira de Limousin


