Na era da globalização, a defesa de uma sociedade justa e solidária é interpretada quase como uma utopia. As grandes nações que bloqueiam o livre comércio nos fóruns internacionais apenas agem inspiradas por grandes players multinacionais da economia globalizada, dotados de um grande poder de influência sobre os governos. Esses grupos têm interesses financeiros e comerciais, não compartilham, na maioria das vezes, causas políticas e sociais, nem se preocupam com a criação e manutenção de mecanismos de negócios internacionais que aliem o desenvolvimento econômico à boa distribuição de renda.

Baseados nos seus consagrados princípios de solidariedade, o cooperativismo se coloca como contraponto à prática cega desta globalização mercantil. O tema desse ano para o Dia Internacional do Cooperativismo, comemorado em 3 de julho, é Cooperativismo por uma globalização mais justa: criando oportunidades para todos. Em todo o mundo, 800 milhões de cooperados provam que é possível uma globalização justa, ao colocar os interesses do homem em primeiro lugar e respeitar a autonomia e as identidades locais.

O Brasil é um grande exemplo de como esse processo deve ser conduzido. Hoje, somos 5,7 milhões de cooperados em mais de 7 mil cooperativas de 13 ramos de atividades econômicas distintas. Elas já representam 6% do Produto Interno Bruto (PIB) e são responsáveis pela criação de quase 200 mil empregos diretos.

Indutoras do agronegócio, as cooperativas agropecuárias são provas incontestes de que é possível construir uma sociedade mais justa inserida na economia globalizada. A atuação do cooperativista Roberto Rodrigues no comando do Ministério da Agricultura tem sido marcada pela luta contra as barreiras comerciais impostas ao Brasil e a defesa dos nossos produtos no mercado internacional.

No ambiente urbano a ferramenta cooperativista está sendo cada dia mais utilizada, como forma de desenvolvimento econômico das pessoas comuns, com inclusão social. As cooperativas de Trabalho representam uma alternativa de geração de trabalho e renda.

As cooperativas de Consumo, constituídas por mais de 2 milhões de brasileiros, são o equilíbrio dos preços de alimentos e bens de primeira necessidade no varejo. As cooperativas Habitacionais lutam e tornam realidade o sonho da casa própria para a população de baixa renda. As cooperativas de Saúde, criam oportunidade de trabalho para cerca de 300 mil profissionais do setor, atendendo mais de 14 milhões de brasileiros com atendimento digno a preço justo. As cooperativas de Infra-Estrutura possuem uma rede de 120 mil quilômetros, levando energia e desenvolvimento a mais de 600 mil famílias. As cooperativas Educacionais reúnem mais de 100 mil associados e atendem diretamente mais de 11 mil alunos, oferecendo ensino de boa qualidade e preço justo. Já as cooperativas de Transporte congregam uma frota de mais de 5 mil veículos, entre transporte de carga e de passageiros.

Outro setor que merece destaque é o cooperativismo de Crédito, que facilita o acesso ao mercado financeiro aos cooperados com melhores condições que as instituições bancárias tradicionais. Possui três sistemas - Sicredi, Sicoob e Unicred - e dois bancos- Bansicredi e Bancoob. Hoje mais de 1.100 cooperativas e 1,4 milhão de cooperados fazem parte do sistema. Os ramos Especial, Mineral, Produção e de Turismo completam o panorama onde atua o cooperativismo brasileiro.

Não é ilusão falar em justiça social e econômica no mundo globalizado porque continua sendo necessário diminuir a distância entre a população mais pobre e os benefícios gerados pela globalização, principalmente nos países em desenvolvimento.

(*) Presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB)

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