Historicamente, nossas riquezas têm sido exploradas no sentido negativo, extrativista, sendo levadas de nosso território para gerar desenvolvimento em outros países. Fruto dessa cultura é que temos tão pouca expressividade na exportação de produtos de madeira, e nos encontramos diante de um contra-senso, na iminente possibilidade de termos que importar madeira em função de um possível ''apagão'' florestal.

Está na hora de o Brasil prestar atenção à produção e uso da madeira. Ao invés de vender a matéria-prima, entregando nosso ''ouro verde'', temos que gerar riqueza a partir desse ativo, investindo em tecnologia, qualidade e produtividade, gerando diferenciais competitivos que agregam valor ao material.

Para que tudo isso aconteça é fundamental que esteja presente na pauta do governo um programa florestal em que o setor produtivo esteja incluído. Ações de incentivo do plantio e a produção sustentável de madeira são indispensáveis, mas devem ser acompanhadas de estímulo à agregação de valor, gerando empregos e inclusão social. Além de políticas de redução de alíquotas de importação de equipamentos e tecnologia, e ampliação das restrições de exportação de produtos sem valor agregado (toras brutas, por exemplo).

Considerando as vantagens comparativas que o país possui, a participação de apenas 4% no PIB nacional parece muito pequena. Se for considerada uma área plantada de 4,8 milhões e os 500 mil empregos gerados, pode-se concluir que o setor florestal ainda pode expandir significativamente. Se o país caminha para ser o ''celeiro do mundo'', que o seja também na produção de madeira, fonte de riqueza cada vez mais valiosa.

Está mais do que na hora de todo mundo saber que a madeira é ótima, sim, e o seu uso racional, melhor ainda.

Embora tenhamos tecnologias disponíveis para construções em madeira, este conhecimento ainda está restrito, em grande parte, às universidades, em função do pouco diálogo entre os empresários que atuam nos segmentos de produtos de madeira e os pesquisadores universitários. E as próprias universidades lutam para trabalhar com as pequenas verbas disponibilizadas para a pesquisa voltada ao desenvolvimento de tecnologias de construção em madeira.

A madeira é o único material construtivo que pode ser reposto pela própria natureza e, por ser biodegradável, os resíduos são totalmente aproveitados. Numa época de crise energética e de preocupação com o meio ambiente é de se esperar um maior interesse por este material, cujo beneficiamento requer pouco consumo de energia. Outros materiais estruturais, como o aço e o concreto armado, são produzidos por processos altamente poluentes, antecedidos por agressões ambientais consideráveis para a obtenção de matéria-prima.

O Brasil possui a maior e a mais diversificada floresta do mundo, nosso clima e solo são apropriados ao plantio de espécies de rápido crescimento, especialmente eucalipto e pinnus. Fruto de suas condições privilegiadas, o Brasil é hoje um recordista em produtividade: espécies que demandam 80 anos para o adequado beneficiamento nos países produtores, em território nacional precisam de apenas 25 anos. A área cultivada com eucalipto e pinnus, com o grande impulso de incentivos fiscais das décadas de 70 e 80, passou de 4 mil hectares para 4,8 milhões de hectares. O Brasil é hoje o 4º maior produtor mundial de produtos florestais, mas no ramo das exportações ainda é apenas o 14º.

(*) Membro do Conselho Florestal do Movimento Espírito Santo em Ação
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