OPINIÃO DO LEITOR - Bom senso e olho nos números para a compra de um touro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de outubro de 2004
* Maria Lúcia Pires de Abreu Pereira 
O melhoramento genético, junto com a sanidade, nutrição e manejo correto, é determinante para a obtenção de rentabilidade na pecuária de corte. A genética, por si só, é responsável por cerca de 40% dos ganhos do pecuarista. É sabido que o mercado de touros no Brasil é expressivo, mas estaremos nós, pecuaristas, usando todo o potencial desse segmento?
Comprar um reprodutor é um negócio sério. O touro certo pode trazer mais lucro do que qualquer outro investimento na fazenda. Já o errado vai fazer o pecuarista perder dinheiro mais rapidamente.
A rotina de substituição dos touros é essencial para o melhoramento genético dos plantéis. Estima-se que 20% da bateria de touros devam ser substituídos anualmente, com reposição dos machos mais velhos e que não têm a mesma libido de antes, para agregar novas fontes de genética e impulsionar a produtividade. Metade da genética em um rebanho vem do touro. Ele pode beneficiar ou estragar um plantel. O touro ruim é o touro mais dispendioso do rebanho.
Confirmada a necessidade de reposição o próximo passo é fazer o exame andrológico antes da estação de monta e avaliar índices de fertilidade e identificar machos férteis. Se reprovado, o animal tem de sair do rebanho, ou será um ladrão de pasto e sal mineral, com resultado zero de crias.
Nunca se pode esquecer de adequar a finalidade do touro ao perfil do projeto pecuário. É preciso buscar no mercado animais de acordo com a necessidade de cada produtor: seja para melhorar a carcaça ou para o ganho de peso à desmama ou ao sobreano. Em um rebanho de produção, o melhoramento genético acontece rápido, com o touro transmitindo o potencial desejado já na primeira geração.
Muitos criadores tendem a usar um touro por diversas estações de monta. Mas, se o animal fosse substituído por um mais jovem a cada três estações, por exemplo, o resultado seria melhoramento genético acelerado. Não se trata de colecionar touros e sim melhorar o rebanho.
Há diversas ferramentas na compra de touros melhoradores. Uma delas é a avaliação genética. O comprador deve adquirir seu animal de um criador de confiança, que garanta qualidade, fertilidade e responda por seu produto. O criador deve ter um programa consistente e uma proposta coerente de produção que maximize o lucro do pecuarista.
O ideal é que este animal tenha sido submetido a testes de performance que avaliem suas características. Não é só o ganho de peso que conta. É necessário saber dados do pai e da mãe do animal, a fertilidade de ambos, a habilidade materna, o potencial genético e muito mais. O pecuarista deve apurar como esses animais foram criados. Outras dica é verificar se os machos estão em sumários e prestar atenção aos indicadores de fertilidade, produtividade e ganho de peso; adquirindo somente filhos de touros provados, adaptados e criados a pasto. O pecuarista nunca deve esquecer que a escolha da raça mais adequada sempre dependerá da região em que a fazenda se encontra e que a melhor genética exige melhores condições de sanidade, nutrição e manejo.
* Maria Lúcia Pires de Abreu Pereira é pecuarista há 11 anos e proprietária da Fazenda Mariópolis, de Itapira (SP).


