OPINIÃO DO LEITOR - Bioterrorismo e exportação
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de dezembro de 2003
Emílio Carlos Salani 
O ano que termina tem sido de superação para o agronegócio brasileiro. Somos líderes na exportação de carne bovina, segundo em carne de frangos, demos um salto fantástico em suinocultura; a produção leiteira ganha qualidade, a população de pequenos animais cresce. O superávit comercial do campo deve superar US$ 24 bi, um recorde impensável há alguns anos. E ainda há o desempenho extraordinário da soja, do algodão, do açúcar e do álcool, do café, do milho, do trigo.
Agora precisamos ficar atentos às exigências dos clientes.
Um fator que impressionou os técnicos norte-americanos (que aqui estiveram em recente missão para ver o nosso rebanho) foi o aumento da demanda de vacinas contra a doença. E é verdade. Até maio, mês fundamental para a campanha oficial contra febre aftosa, os pecuaristas adquiriram 163 milhões de doses.
Já na segunda fase da campanha, foram comercializadas 68 mihlões de doses em um único mês. Nesse ritmo, 2003 fechará com novo recorde de consumo de vacina, que foi de 325 milhões/doses no ano passado.
O resultado positivo da missão norte-americana leva o Ministério da Agricultura a avaliar que o Brasil possa exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos a partir do primeiro semestre de 2004.
Se os entraves sanitários estão sendo vencidos, é preciso ressaltar que a entrada da carne brasileira no mercado norte-americano pode não ser tão rápida nem tão fácil, pois novos obstáculos aparecem no horizonte.
O Congresso dos Estados Unidos aprovou recentemente lei conhecida como ''Bioterorism Act'', que obrigará, desde ontem, 12 de dezembro, os exportadores de produtos alimentícios e farmacêuticos de todo mundo a manter rigorosa fiscalização sobre suas mercadorias. A preocupação dos norte-americanos com novos atentados com armas químicas e biológicas seria responsável pela lei que vai determinar, por exemplo, que os exportadores informem a composição e a origem de todos os componentes usados para a fabricação dos produtos.
Nesse caso, a rastreabilidade e a certificação de origem do rebanho bovino brasileiro, que tem sido alvo de constantes discussões, não servirá apenas para atender ao exigente mercado europeu, mas também para garantir o acesso da carne brasileira nos Estados Unidos e ainda em mercados igualmente exigentes, como o Japão.
O autor é presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan)


