OPINIÃO DO LEITOR - Agronegócio e Exportação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de agosto de 2003
Paulo Varela Sendin (*) 
Nestes tempos de quase recessão econômica no Brasil, o Agronegócio parece
ser o oásis verde no meio de um deserto repleto de más notícias. E, no
Agronegócio, o segmento exportador tem tido o duplo papel de garantir o crescimento na economia e na renda e propiciar confortáveis saldos na
balança comercial.
Observando esses significativos saldos, no entanto, o que se vê é a
preponderância das grandes commodities agrícolas como a soja e o café, ao
lado de outros ítens também de pouca diferenciação nos mercados, como
açúcar e suco de laranja. Embora esses produtos tenham um forte componente
de inovação tecnológica, pouquíssimas vezes reconhecido, fica no ar uma
pergunta:
Por que não diversificar a de exportações e a ela adicionar um enorme contingente de produtos destinados a nichos específicos de mercado, pouco sujeitos a flutuações de preço, já que não enfrentam a concorrência dos subsídios concedidos pelos países desenvolvidos?
Os mercados internacionais têm grande interesse em produtos orgânicos, frutas tropicais ''exóticas'', mel, açúcar mascavo, cachaça etc, onde o Brasil pode ser altamente competitivo se conseguir organizar os pequenos e médios produtores que que atuam nesse setor. Esses produtos, para competir adequadamente nos mercados internacionais, devem atingir o nível de qualidade exigido pelos consumidores mais sofisticados, passar por um sistema confiável de certificação e serem comercializados em lotes e embalagens compatíveis com
os processos de vendas dos países consumidores.
Na busca dessa competitividade, muitas vezes os produtores,
individualmente ou em grupo, se vêm tolhidos pela falta de conhecimento de
gestão e produção e pela inadequação tecnológica de seus processos
produtivos. E esse último ítem, a tecnologia, geralmente é descuidado pelos
produtores, que dificilmente têm acesso a inovações que venham a melhorar a
qualidade ou a adequação de seus produtos às demandas dos consumidores.
Seria necessário que a importância da adequação tecnológica fosse
reconhecida, para que as instituições de pesquisa pudessem
colaborar com na solução desses problemas. Poucos se dão conta
da alta correlação que existe entre busca de tecnologias adequadas e
capacidade de exportação. Em levantamento que está sendo realizado pela
Adetec, observou-se que em cerca de 100 empresas, apenas 14% eram exportadoras. Como nesse conjunto de empresas havia uma percentagem desproporcional de médias e grandes, a ocorrência de atividades de pesquisa e desenvolvimento mostrou-se bastante frequentes, chegando a quase 30%. Mas o fato mais interessante, para nossa abordagem do problema da competitividade externa, é que, entre as empresas que se dedicam a exportação, essa percentagem existência de atividades de P&D chega a quase 70%! Ou seja, se você quer exportar, prepare-se também para inovar...
(*) Engº agrº da Adetec - Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região - [email protected]


