Os preços do leite tipo C, para o produtor, estiveram em queda generalizada, desde julho, em todo o País. Os três Estados do Sul se queixam mas em Minas Gerais, de julho a outubro, a queda foi de 4%. O preço do litro passou de R$ 0,50 para R$ 0,48 por litro. A maior queda foi em Goiás, 6%, de R$ 0,49 para R$ 0,47.
Enquanto isso, os preços da maioria dos insumos aumentou. Entre julho e outubro o preço da ração aumentou 17%, de R$ 0,64 para R$ 0,76 o kg. Em julho, o produtor comprava 1 kg de adubo com 1,3 litro de leite. Em outubro precisou mais leite para comprar igual quantidade de adubo: 1,6 litro.
Enquanto o preço cai para o produtor, o consumidor está pagando mais caro. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) para o leite e derivados no período de fevereiro a outubro, o preço do litro de leite C, no varejo, subiu 13,64%. Mas, no mesmo período, de fevereiro a outubro, o preço do leite ao produtor subiu apenas 5,17%.
A justificativa é que está havendo excesso de produção do leite e cooperativas e governo não tem um projeto para aproveitar esse excedente. É o que comenta o engenheiro agrônomo e professor Marcelo Costa Martin, assessor técnico da pecuária de corte da CNA. Os números da exportação e importação de leite - ativas formadoras de preços - sugerem justamente o contrário.
Neste ano as importações foram bem menores, passando de 1,46 bilhão de litros em equivalente leite, para 620 milhões de litros em equivalente leite. Enquanto isso as exportações devem crescer cerca de 2%.
A queda das importações combinada com o aumento das exportações de leite é o melhor que poderia acontecer para os produtores.
(*) Presidente da Mesa de Assuntos Técnicos de Pecuária de Leite da Faesp.

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