Atenção produtores de tomate, uva, maracujá, hortaliças, banana, feijão, e outras plantas de folhas largas, previnam-se, o 2,4-D vem aí. Todo ano a história se repete. Os produtores de soja utilizam porque o produto é eficaz e barato.
Não é só por isso. Tem quem fabrique o produto, tem quem vende, tem quem recomende, tudo dentro da legalidade. Todos têm responsabilidade técnica, social e ambiental. No entanto, quem usa o veneno não tem conseguido controlar a deriva durante a sua aplicação, que acaba indo parar na plantação de tomate do vizinho.
Aí já é tarde, o vizinho vai perder a produção que ia lhe garantir o sustento da família. É briga na certa. O caso vai parar na justiça, se é que vai, e o reclamante vai ficar aguardando..., sabe lá até quando. E quando vem o veredicto é a favor de quem aplicou 2,4-D. Claro, é muito difícil provar que se cometeu erros.
Esse é um problema antigo, o que significa dizer que as soluções propostas até o momento não foram suficientes para resolver a questão. E de quem é a culpa? Há quem culpe a deriva. Sim, evidente. Se não houver a deriva, em tese, o 2,4-D que é aplicado numa área não vai se deslocar para outro local indesejável. Assim, não vai ocorrer o problema. Então fica fácil resolver, é só acabar com a deriva. Todos vão ficar felizes: os tomateiros, os viticultores, os fabricantes de 2,4-D, os vendedores, os agricultores, os fabricantes de bicos especiais de pulverizadores para controlar a deriva, etc.
Mas é possível acabar com a deriva? Tecnicamente falando, sim. Aliás, a tecnologia está ficando cada vez mais precisa, existe até a denominada agricultura de precisão. Bom, então agora ficou fácil! É só sensibilizar os usuários de 2,4-D a não provocarem a deriva, adotando as técnicas disponíveis. Os usuários que não atenderem essas exigências técnicas poderão ser punidos (não sei como). E o responsável que recomendou o produto e a aplicação? E o fabricante do produto? E os outros? Aí, você já está querendo demais!
Essa é uma das questões que precisa ser debatida, até porque ela reflete em problemas mais graves, como a poluição das águas, por exemplo. A tecnologia de aplicação de produtos está proporcionando condições de exatidão para o trabalho a ser feito. No entanto, são as pessoas que vão adotar ou não essas tecnologias.
A ordem que estabeleceu o uso do 2,4-D deve ter muitas razões para que se evite medidas que proibam a sua comercialização. Algumas do tipo, ''vamos acabar com a deriva'' (que é necessário que se faça) e não ''vamos acabar com o 2,4-D'', pelos menos a curto prazo.
O referido produto é tão ''exato'' que cumpre a risca o que promete: controlar ervas dicotiledôneas, - incluindo a videira do vizinho. Felizmente, para o alento dos que pensam em diversificar a propriedade, uma nova rede de organizações, está se formando para, pelo menos, amenizar o problema.
Em Londrina, o grupo integra a Seab, a Emater-Paraná, o Iapar, a Embrapa, o Iap, a AEA-LD, a Anpara, sindicatos rurais, prefeituras, entre outras.
A primeira grande missão dessa rede foi unir essas organizações para traçar um plano de ação, durante um encontro realizado no dia 20 de agosto. Entre as propostas de trabalho, estão ações articuladas como a capacitação dos profissionais da agronomia e os agricultores; o mapeamento das áreas de riscos; e uma ampla campanha para que se evite a recomendação do produto sem o acompanhamento efetivo do responsável técnico e a fiscalização da venda do produto.
Se você for convidado a participar dessa rede, não perca a oportunidade, principalmente se você gosta de tomate, uva, melão, melancia, e outras plantas de folhas largas.

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