Segundo os órgãos que pesquisam o nível de emprego nos diversos setores da economia, o Paraná está experimentando um incremento no número de postos de trabalho no campo com relação à safra passada. Na lavoura do algodão, chegou até mesmo a faltar braços para a colheita.
A geração de mais postos de trabalho no campo é inegável, assim como inegáveis são os seus efeitos. Ela representa mais trabalhadores em atividade ao mesmo tempo e que, com a remuneração recebida, ajudam a movimentar a economia no interior do Estado.
Apesar disso, é necessário fazer algumas observações. Em decorrência das peculiaridades da agricultura, sujeita a épocas distintas de plantio e colheita de acordo com cada cultura, o volume de contratações (em função do início de determinadas colheitas) e desligamentos (por causa do encerramento de outras) é simultâneo. Enquanto a cana contrata, o café dispensa.
E no final do ano, por maior que tenha sido a demanda por trabalhadores, o cenário que se insinua é o mesmo de sempre: pais e mães de família sem trabalho, vivendo do dinheiro que conseguiram receber e economizar e esperando o início da próxima safra. E o dinheiro recebido, é importante frisar, continua praticamente o mesmo ganho nos anos anteriores - apesar da variação positiva alcançada pelas cotações dos diferentes produtos e pelos ganhos obtidos pelos grandes empresários rurais. O salário do trabalhador rural paranaense é um dos mais baixos do Centro-Sul.
O baixo salário praticado no Estado ajuda a entender a razão pela qual mais de 30 mil trabalhadores tenham ido buscar emprego nas lavouras de Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina. É essa gente que está fazendo falta aqui e levando os empresários a contratar pessoal em outros Estados, onde a oferta de emprego é restrita.
Mais do que comemorar o crescimento do nível de emprego, o que os trabalhadores rurais têm a fazer é lutar para que as contratações sejam formais e as condições de trabalho mais dignas. Além disso, não se pode perder de vista a necessidade de garantir uma remuneração compatível com as necessidades do trabalhador e seus familiares e exigir do poder público a criação de uma infra-estrutura que garanta educação, saúde e lazer para todos os moradores do meio rural e que faça realmente valer à pena a vida no campo.
* Ademir Meller, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep)

mockup