OPINIÃO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de junho de 2006
Amélio DallAgnol 
Impressiona o avanço verificado na produção agropecuária brasileira no correr dos últimos 30 anos. Não importa qual cultivo ou atividade pecuária considerada, o avanço, visto desde a perspectiva do crescimento da produtividade, foi expressivo. A soja, por exemplo, passou de uma produtividade de 1.089 kg/ha, na média dos anos 60, para mais de 2.800 kg/ha, em 2003, último ano de safra cheia. Aumentos semelhantes foram observados em todos os cultivos (milho, algodão, trigo, arroz, feijão...) e, também, em todas as atividades pecuárias, alçando o Brasil à condição de maior exportador mundial de carnes.
Mas usar alta tecnologia não significa, necessariamente, usar grandes volumes de insumos, como, por exemplo, altas quantidades de fertilizantes ou doses exageradas de defensivos. Usar alta tecnologia no processo produtivo de plantas ou animais significa, na verdade, usar os insumos produtivos de forma racional. No caso das plantas implica, por vezes, usar menos insumos, porque a análise do solo indica presença de nutrientes em quantidades suficientes para uma máxima produtividade. Colocar mais fertilizante, nessas condições, pode reduzir e não aumentar a capacidade produtiva do solo.
Existe, na natureza, uma lei denominada ''Lei do Mínimo'', que ensina: a produtividade de um cultivo é determinada, não pela quantidade de nutrientes que disponibilizamos à planta, mas pelo nutriente indispensável e disponibilizado em menor quantidade. Tive, recentemente, oportunidade de visitar um produtor de soja, próximo a Brasília, que utilizava, sistematicamente, 600 kg/ha de fertilizante. Colhia bem, mas a soja acamava pelo excesso de nutrientes acumulados no solo, safra após safra. Usava, inclusive, uma fórmula que continha nitrogênio, elemento totalmente dispensável quando inoculamos corretamente a semente e muito caro neste momento, pelo alto preço do petróleo, de onde ele é obtido. É possível, que nas condições daquele solo, o produtor obteria melhor produtividade por uma, ou até duas safras, não aplicando fertilizante algum, apenas usufruindo do residual existente. Uma boa análise do solo indicaria o acerto de tal medida.
Para competir e sobreviver na atual selva de mercados globalizados e integrados, onde só permanecem os mais eficientes, não basta, ao moderno produtor, fazer bem a tarefa dentro da porteira. É preciso estar atendo aos novos desafios que envolvem o complexo soja para avançar.
E, justamente para discutir todos desafios, da produção à logística e comercialização da safra, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Soja traz a Londrina, de 5 a 8 de junho, o 4º Congresso Brasileiro de Soja. É uma oportunidade para ver que, além de utilizar bem as novidades tecnológicas para produzir, é indispensável entender os mecanismos do mercado, para dessa maneira, comprar bem as máquinas e os insumos e vender bem a produção, com o mínimo de intermediação.
AMÉLIO DALL'AGNOL é engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja


