Os sistemas silvipastoris (árvores e/ou arbustos + atividades pastoris) e os sistemas agrossilvipastoris (árvores e/ou arbustos + atividades agrícolas + atividades pastoris) são importantes ferramentas da agrossilvicultura. Nos primeiros, o componente arbóreo e/ou arbustivo, normalmente, é de rápido crescimento enquanto nos segundos de crescimento mais lento. Nos sistemas agrossilvipastoris, faz-se agricultura junto com as espécies arbóreas e/ou arbustivas nos primeiros anos colocando-se os animais no sistema apenas quando o componente florestal estiver num desenvolvimento que não mais possa ser prejudicado por eles.
Ambos os sistemas têm muitas vantagens. A principal é o aumento da renda pela agregação de produtos florestais onde só produzia-se carne ou leite. Dependendo da espécie arbórea e/ou arbustiva pode-se produzir de 150 a 300 metros cúbicos de madeira em tora, em rotações variando de 14 a 20 anos, mais madeira fina de desbastes. Além da parte econômica sempre mais visível eles podem aumentar a biodiversidade, fixar carbono, diminuir a erosão do solo e melhorar a qualidade da forragem e do solo, dentre outros benefícios.
Para o estabelecimento de qualquer dos dois sistemas deve-se, primeiramente, determinar se o solo é adequado para agricultura e/ou pecuária e em seguida selecionar, com apoio técnico, espécies agrícolas e florestais considerando a compatibilidade entre as mesmas.
Feito isto, deve-se planejar o sistema de pasto com carga animal média um pastoreio intensivo ou um superpastoreio pode danificar as árvores e definir um sistema de plantio de árvores que facilite a poda. Deve-se, preferentemente, plantar as árvores em fileiras distantes de pelo menos 12 metros uma da outra.
Por último o produtor deverá analisar as implicações econômicas e de administração do sistema. O êxito dependerá da utilização de espécies adaptadas ao local e que tenham mercado para sua venda.
Esses sistemas são usados, com sucesso, tanto por produtores familiares como por médios e grandes empresários. A maior evidência é no noroeste de Minas Gerais, tendo como espécie arbórea o eucalipto, mas também são importantes no Paraná, por exemplo, onde há cerca de 5.000 hectares plantados e no Nordeste brasileiro onde há registros de experiências localizadas, com ênfase na algarobeira, em Pernambuco e na faveira no Piauí.
Na Amazônia os sistemas silvipastoris e agrossilvipastoris deverão se constituir na única forma sustentável de produção pecuária e, brevemente, terão um papel fundamental com ferramenta para conversão das extensas áreas de pastagens degradadas em sistemas pecuários mais inteligentes. O mesmo deverá ocorrer na região centro-oeste.
Os ganhos ambientais e sociais em relação aos sistemas tradicionais de criação de gado não têm sido contestados. Em função disto, a Embrapa Florestas, por orientação da Diretoria Executiva da Embrapa e com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA está construindo uma parceria com várias outras Unidades da Embrapa para o estabelecimento de uma Rede de Referência em Sistemas Silvipastoris para o Brasil Pecuário que em sequência incorporará novos parceiros e buscará apoios financeiros.

MOACIR JOSÉ SALES MEDRADO é chefe geral da Embrapa Florestas; engenheiro agrônomo e doutor em Agronomia e especialista em Planejamento Agrícola, Sistemas Agroflorestais e Manejo de Agroecossistemas

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