OPINIÃO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
Dionisio Brunetta 
Com o início da colheita das culturas de verão, os agricultores do Norte e Oeste do Paraná já estão planejando a próxima safra de outono-inverno. Para as áreas disponíveis após o dia 20 de março, a cultura de trigo é uma opção competitiva em relação às demais espécies.
Diante da previsão de preços reprimidos ao longo de 2006, devido a fatores econômicos, cresce a importância de se conduzir as lavouras de forma racional, visando a obtenção da maior produtividade com os menores custos de produção. O agricultor deve estar atento para a escolha criteriosa das cultivares, levando em conta suas características, como o potencial de rendimento e, principalmente, a resistência às doenças.
Para a safra de 2006, segundo dados preliminares da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (Apasem), o Paraná dispõe de aproximadamente três milhões de sacas de 50 kg de sementes de trigo. A área semeada em 2006 deve ser próxima à cultivada no ano anterior, que foi de 1. 275.000 ha, conforme dados da Seab/Deral.
Atualmente, sete cultivares respondem por 78% das sementes disponíveis no mercado: CD 104, BRS 208, BRS 220, Ônix, CD 111, IPR 85 e BRS 210. Três delas são da classe Pão e quatro da classe Melhorador. Atendem, portanto, à maior demanda do setor industrial, que valoriza mais o trigo de alta força de glúten. No entanto, esse potencial para qualidade somente será assegurado se os agricultores realizarem o manejo adequado das lavouras.
De fundamental importância, no norte do Paraná, é a administração da água disponível para o trigo durante a safra. Geralmente há escassez de umidade durante a semeadura e excesso no período da colheita. Sabe-se que o trigo requer, aproximadamente, 350 mm de chuvas, bem distribuídas, durante o ciclo para alcançar uma produtividade em torno de 3.500 kg/ha.
Em levantamento realizado pela Embrapa Soja, analisando 25 anos de precipitação em Londrina, verificou-se que, em 60% dos anos, a soma de precipitação dos meses de maio a agosto é inferior a 320 mm. No período de abril a julho, a média de precipitação foi de 394 mm. Significa, portanto, que o trigo semeado em início de abril, tendo mais água disponível, terá maior probabilidade de alcançar rendimentos satisfatórios, comparado ao que for semeado em maio. Os riscos de perdas por chuvas na colheita, também são menores para as lavouras semeadas em abril.
Na última safra, as cultivares de ciclo médio respondiam por 78% do volume de semente do estado. Essas lavouras, semeadas em maio, foram colhidas no final de setembro, durante o período de maior precipitação e, portanto, apresentaram germinação na espiga e perda da qualidade. Tendo em vista que em abril há dificuldade de implantar as lavouras, devido à escassez de chuvas, os agricultores devem antecipar os preparativos. O único fator que pode adiar o início da semeadura, é a possível falta de umidade para a emergência das plantas. Deve-se iniciar, sempre, a semeadura com cultivares de ciclo mais longo. Essa estratégia possibilita melhor aproveitamento da umidade disponível e, ao mesmo tempo, reduz o risco da colheita no período chuvoso.
Só haverá segurança de colheita de trigo com qualidade, no norte do Paraná, se tivermos habilidade de conduzir as lavouras no período de abril até o final de agosto. A data da semeadura de determinada cultivar deve levar em conta o ciclo da emergência à maturação, para que a colheita não ultrapasse a primeira semana de setembro.
DIONISIO BRUNETTA, é pesquisador da Embrapa Soja, em Londrina.


