O agronegócio brasileiro detém posição de destaque no acirrado mercado internacional. Soja, açúcar, café e suco de laranja são alguns dos produtos nacionais que ocupam posição de liderança no ranking internacional do agribusiness.
É no campo da cadeia produtiva da pecuária, entretanto, que o Brasil apresenta as mais largas e promissoras vantagens competitivas. O País, como se sabe, é dono do maior rebanho comercial do mundo, estimado em 195,5 milhões de cabeças. Essa liderança é resultado da eficiência do sistema de criação nacional, baseado na engorda de animais a pasto, associado ao trabalho de excelência realizado pelos cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e técnicos da iniciativa privada.
Não é apenas na produção e exportação de carnes que o Brasil se destaca. Outra atividade produtiva de importância capital para a economia brasileira é a cadeia produtiva do couro. Neste aspecto, o País mais uma vez se sobressai no mercado internacional, liderando a produção e as exportações mundiais do produto.
No primeiro caso, o Brasil assumiu a primeira posição do ranking internacional da produção ao produzir 40,5 milhões de peças, ultrapassando assim a China, cuja produção gira em torno dos 40 milhões de unidades. Já no terreno das exportações, o País assumiu a ponta do mercado internacional ao embarcar 27 milhões de peças, desbancando, desta vez, os Estados Unidos, cuja exportação somou cerca de 20 milhões de unidades.
A projeção do Brasil nos mercados internacionais não constitui motivo de justificado orgulho, simplesmente, mas se traduz também em riquezas e oportunidades de negócios para a sociedade brasileira. A atividade movimenta R$ 50 bilhões por ano, reúne 7 mil indústrias, emprega mais de 500 mil pessoas e gerou 60 mil novos empregos no ano passado.
Consciente do impacto produtivo da atividade, o CICB desenvolve, em parceria com o Sebrae, um arrojado programa de aprimoramento da qualidade do produto final - o Programa Brasileiro da Qualidade do Couro, que já capacitou mais de 25 mil produtores, profissionais e universitários em dezenove estados.
Com esta iniciativa, ambas as duas instituições pretendem não apenas reverter o quadro de perdas provocadas por danos perfeitamente evitáveis (riscos e furos do couro por cercas de arame farpado, manejo impróprio, transporte inadequado etc.) que resultam em perdas anuais de aproximadamente US$ 1 bilhão.
O ganho de qualidade é um passaporte para novos mercados, cuja prospecção o CICB vem conduzindo em parceria com a Agência de Promoção das Exportações do Brasil (Apex), com grande sucesso: o couro brasileiro - processado por 800 indústrias curtidoras - está presente em 85 países, e vem ganhando novos mercados, a partir das ações de exposição e projeção do produto nacional em feiras internacionais.
Para consolidar seu crescimento sustentado, o setor espera das autoridades econômicas medidas que garantam a igualdade de condições no campo dos negócios internacionais. Neste sentido, são o segmento conta com medidas como a devolução dos créditos fiscais acumulados nas exportações; o mesmo tratamento tributário conferido à matéria-prima (wet blue) por países concorrentes (Argentina, Índia, Rússia e a própria China, que taxam pesadamente ou simplesmente proíbem a exportação de wet-blue), redução da carta tributária, ações para reduzir os embaraços burocráticos, dentre outras medidas.
Em contrapartida, o segmento se compromete a responder à altura, promovendo novos investimentos no parque industrial, criando postos de trabalho de que tanto o País precisa e novos empregos e gerando divisas para irrigar sua economia.
UMBERTO CILIÃO SACCHELLI é presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB)

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