OPINIÃO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de junho de 2005
Luciano Médici Antunes 
Finalmente, após mais de três anos de intensas discussões, aparece uma luz no fim do túnel do mais polêmico assunto da pecuária nacional. E, desta vez, não é o farol da locomotiva que vem para nos atropelar. A oficialização da participação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov) é uma das melhores notícias dos últimos meses para o segmento.
Abalada por problemas cambiais, suspensão de mercados e quedas e repetidas no preço da arroba, a cadeia da carne vê-se obrigada a encontrar soluções que mantenham a sua viabilidade. Considerada por todos os elos como peça fundamental desta reconstrução (do produtor ao governo, passando pelas indústrias e chegando aos consumidores) a rastreabilidade ganha agora chance real de firmar-se, ter credibilidade nos mercados interno e externo e cumprir seu papel principal: a valorização de nossa carne por meio do acesso a mercados compradores que permitam a agregação de valor ao produto devido às maiores garantias sanitárias que um sistema desta monta possibilita.
A entrada do Inmetro traz tons técnicos à discussão antes passional e, em pouco tempo, o produtor hoje inseguro passará a ter certeza de estar percorrendo um caminho correto. Ítens como sistemas de identificação, acompanhamentos de trânsitos, bases de dados - centralizadas ou não - e protocolos de produção serão elevados a padrões internacionais, aceitos pela maioria dos mercados, tendo como base regras e protocolos ISO GUIA 65, conjunto de normas nos quais se faz o credenciamento de organizações certificadoras de produtos.
As certificadoras e empresas de sistemas de identificação, por sua vez, passarão a ter que cumprir exigências e normas rígidas, dissipando-se o atual desconforto pela falta de padronização de procedimentos e amadorismo de alguns agentes envolvidos. Os produtores -mais importante elo desta cadeia e responsáveis pela produção que nos possibilitou esta posição de líder mundial na exportação de carnes - serão chamados a sua responsabilidade, com protocolos e processos claramente definidos.
Com isso, o Sisbov poderá também cumprir seus papéis secundários, mas não menos importantes tais como o apoio ao sistema de Defesa Sanitário e ao programa nacional de prevenção à EEB, mais conhecida como Mal da Vaca Louca (hoje somos o único país do mundo aonde estes programas não trabalham de forma integrada). Ou seja, o produtor continuará a ter a opção de aderir ou não ao Sistema (não obrigatório) e terá uma série de alternativas de como fazê-lo, entre elas, a rastreabilidade completa oferecida pelo SISBOV com todas as correções de rumos que serão implementadas.
Não podemos também esquecer o crescente nível de exigência dos mercados internacionais motivados a descobrirem barreiras não-tarifárias que permitam maior poder de barganha em negociações transnacionais que possam passar ao largo dos longos e atentos braços da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ao assistirmos Uruguai, Argentina, Estados Unidos, Chile, Austrália e todos os demais competidores internacionais avançarem rapidamente na implantação de seus sistemas, inclusive colocando prazos para que todos seus rebanhos estejam rastreados antes do final desta década, respiramos aliviados com a ação tomada pelo governo, restando neste momento dar as boas-vindas ao Inmetro. e os parabéns ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) por tão importante decisão.
LUCIANO MÉDICI ANTUNES é engenheiro agrônomo e presidente da Associação das Empresas de Rastreabilidade e Certificação Agropecuária (Acerta)


