Genética e Fórmula 1
Luiz Eduardo Batalha (*)

O título acima não é uma pergunta, mas uma constatação. Sob o meu ponto de vista, os criadores de gado de elite são verdadeiros cientistas/empresários, sempre em busca de melhoramento genético para repassar a seus clientes. Quando o resultado deste investimento é positivo, é possível colocar à venda sêmen de um touro excepcional ou uma vaca que produzirá filhos de alta qualidade. Tudo para oferecer a pecuaristas de cria, recria ou engorda a genética certa a ser implantada, agregando produtividade e ganho de tempo.
Vamos fazer uma comparação entre os criadores de gado de elite e uma escuderia de Fórmula 1. Quanto recurso é investido em técnicos, pilotos, tecnologia? E quem paga por isso? São as indústrias automobilísticas ou de auto-peças. Isso porque ao final de cada temporada recebem relatórios detalhados das corridas, envolvendo condições e durabilidade dos pneus, resistência dos freios, funcionamento da transmissão eletrônica, segurança dos veículos... Tudo, absolutamente tudo, realizado nas pistas vai para os computadores das corporações, que pagam caro por isso, mas incorporam o que há de mais avançado em seus novos modelos colocados no mercado para satisfazer o desejo de nós, consumidores.
No gado de elite é a mesma coisa. Todo o esforço dos criadores no investimento de altas somas em matrizes selecionadas, touros melhoradores, inseminação artificial, transferência de embriões, fertilização in vitro e até clonagem, tem como finalidade oferecer aos produtores de escala a melhor genética, o melhor touro para cobrir a vacada e produzir animais que nascem mais leves, mas com grande capacidade de ganho de peso, que cheguem à idade de abate mais cedo. Tudo isso para proporcionar mais quilos de carne do que a média do gado do rebanho nacional, e em menos espaço de tempo, além de produzir carne de melhor qualidade, que atenda às exigências do mercado e possa agregar valor ao negócio.
No caso das corridas de Fórmula 1, os clientes diretos da moderna tecnologia são as indústrias automobilísticas e, na etapa seguinte, nós consumidores. No caso da pecuária de elite, nossos parceiros diretos são os pecuaristas de gado para o abate, mas também aqui o consumidor é o cliente final. E é ele que exige qualidade e que, em última análise, justifica o nosso investimento.
Espero ter-me feito entender nessa comparação Fórmula 1 e pecuária de elite. Até porque temos uma função muito importante na chamada cadeia da carne, assim como as corridas também têm na indústria automobilística. Afinal, o rebanho brasileiro conta com 60 milhões de fêmeas para serem servidas por touros verdadeiramente melhoradores. Nosso contínuo investimento em gado de elite fornece as ferramentas necessárias (produtos com qualidade genética) para movimentar essa atividade fantástica. E o lucro é de todos, especialmente do Brasil, que pode contar com carne de qualidade superior para atender à crescente demanda do exterior. E com melhores preços.
(*) Pecuarista e proprietário da Chalet Agropecuária, de Uberlândia (MG)

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