OPINIÃO - Seqüestro de carbono com plantio direto
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sexta-feira, 08 de julho de 2005
Fernando Penteado Cardoso 
Está na moda o termo sequestro de carbono. Não há escrito sobre ecologia e mesmo conservação do solo que não o mencione. Vem substituindo até o conceito tradicional de matéria orgânica. Uma questão de modismo até certo ponto desiderativo.
Admite-se que o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, ao reter o calor recebido do sol, seja responsável pela fase atual de aquecimento de nosso planeta. Lembre-se que ao longo da história geológica da terra, já tivemos outros períodos de extremo calor, alternando-se com épocas muito frias chamadas de eras glaciais.
No decorrer das eras, o chamado gás carbônico foi sempre retirado da atmosfera pelos organismos vivos e fixado na forma de matéria orgânica, seja animal ou vegetal. Em tempos pré-históricos esse material carbônico se mineralizou principalmente como carvão de pedra e como petróleo, considerados como fósseis. Ao queimar carvão e destilados de petróleo, devolvemos carbono à atmosfera milhões de anos após dela ter sido retirado.
Em fase mais recente, outra retenção foi feita pelo crescimento das florestas, formando-se um estoque de carbono que, do mesmo modo e em muito menor escala, é devolvido à atmosfera seja pela queima após corte, para eliminar a sombra que inibe as plantações , seja pela decomposição de folhas, galhos e outras partes.
Cientistas, ambientalistas e ecologistas recomendam que se queimem menos combustíveis fósseis oriundos do carvão e do petróleo e igualmente menos vegetação (matas, cerrados, etc), embora esta tenha um significado comparativamente muito menor.
Admitem os especialistas uma reciclagem contemporânea do carbono, o que acontece quando se queima álcool ou óleos vegetais, alem de madeira de plantações, liberando gás carbônico absorvido da atmosfera pouco tempo antes. É uma reciclagem aceitável por ser de curto prazo, sem acrescentar carbono à atmosfera.
O fogo é sempre um espetáculo pirotécnico que chama a atenção, sendo assim condenado de uma maneira geral, muito embora possa representar uma reciclagem de curto prazo do carbono retido poucos meses antes. Quando se queimam as folhas secas da cana para facilitar a colheita, por exemplo, há uma devolução à atmosfera de menos de 10% do total de carbono absorvido por essa cultura no decorrer de seu ciclo vegetativo anual.
Recomendam finalmente que se procure reter ou fixar carbono atmosférico através da fotossíntese, ainda que temporariamente, na forma de plantas em crescimento, madeira (reflorestamento e culturas permanentes), cujos detritos ao se decomporem dão origem ao húmus. A esta retirada de carbono da atmosfera deram o nome de ''sequestro''.
O sequestro é temporário, com prazos variáveis, pois o carbono acaba retornando à atmosfera pela decomposição ou queima. O aumento do teor de húmus no solo talvez seja a retenção de ciclo mais longo, quase permanente, daí advindo sua importância.
Cumpre salientar a respeito que o sistema de plantio direto sobre solo recoberto de resíduos, bem como as pastagens permanentes, proporcionam ambientes altamente favoráveis à formação de húmus, com aumento do seu teor no solo, sendo assim recursos inigualáveis para o almejado ''sequestro de carbono''.
FERNANDO PENTEADO CARDOSO - é engenheiro agrônomo sênior, fundador e ex-presidente da Manah e presidente da Fundação Agrisus (www.agrisus.org.br)


