OPINIÀO - Recursos Humanos no campo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de julho de 2004
Jorge Alberto Viani (*) 
O gerenciamento dos Recursos Humanos (RH) não é tarefa simples para nenhum negócio. A gestão torna-se gratificante à medida em há equilíbrio entre os dois lados: os bons resultados nos negócios e a satisfação e o engajamento dos empregados.
No setor de agrobusiness não é diferente. Em evidência por conta do bom desempenho nos últimos anos e frente ao potencial de crescimento que apresenta, o setor promete um ciclo de expansão acentuada e competitiva; ou seja, é um momento especial para os gestores de RH.
É comum as pessoas entenderem a atividade rural como uma operação de fácil gerenciamento, em que o principal desafio está em plantar, colher e comercializar. De fato, o gestor do campo precisa conhecer todas essas frentes e atingir aí um nível de profissionalismo compatível com os praticados por outras empresas dos diferentes setores da economia. O expertise dos gestores do campo também passa pelo conhecimento da tecnologia envolvida em todo o processo - de técnicas de plantio às práticas do mercado, entendimento das políticas de formação de preços, habilidade financeira e gerenciamento de pessoas.
Em comparação com a indústria, podemos identificar alguns caminhos positivos para o gestor do campo. Vale ter em mente que o que todos buscam, independentemente do setor ou localidade, é desenvolver uma capacidade de atrair, reter e motivar os melhores profissionais para atuarem em suas empresas.
Saber ouvir é um dom especial, também no mundo dos negócios. Pergunte, provoque a discussão saudável entre os seus colaboradores. Além de apontar os problemas, convide-os a participar da busca por soluções.
Um bom programa de desenvolvimento profissional e o envolvimento com os membros mais jovens da família de seus empregados são ferramentas que vão fortalecer os laços entre a empresa e a equipe, favorecer relações e gerar fontes de recrutamento. Estimular esta consciência, trazer a família de cada empregador a participar deste processo é um trabalho necessário.
Dinheiro é assunto sério e todos precisam estar satisfeitos com o resultado final: quem ganha e quem paga. O mais importante é estabelecer uma política de Remuneração que inclua salário fixo, variável/bônus, benefícios e demais gratificações.
Então, para quem atua no agrobusiness, gerenciar esta função de RH também é parte fundamental de todo o processo. Defina o quanto antes um modelo de remuneração que garanta a subsistência no curto prazo e atrele o pagamento das parcelas variáveis ao ciclo das culturas, por exemplo. A legislação permite a participação nos lucros e resultados com pagamentos anual ou semestral, além de oferecer excelentes incentivos fiscais pela não-incidência de encargos sociais.
Uma prática de remuneração por resultados estimula a formação de uma consciência de que quando o resultado é positivo, todos ganham; quando o inverso acontece, a responsabilidade também é de todos. Fuja do paternalismo.
Seja claro em seus objetivos e na forma como pretende recompensar o esforço de todos. Parece óbvio? Mas não o é na prática. Então, estude e eleja os indicadores financeiros e de produtividade para a medição dos resultados.
Outra alternativa de grande motivação é o estudo de uma forma de ganhos de longo prazo, com características específicas para os profissionais chaves de todo o negócio. Uma recompensa dos resultados de longo prazo, como expansão de área cultivada, crescimento de produtividade, abertura de novos mercados etc. Para esta área, o RH deve estabelecer um prazo de dois a três anos, de forma a construir um comprometimento maior, permitindo assim, o alinhamento dos interesses de empregador e empregados e a retenção do pessoal crítico ao sucesso do negócio.
(*) Consultor sênior da Hewitt Associates, empresa de consultoria de Recursos Humanos


