OPINIÃO - Quais são as melhores plantas para biocombustíveis?
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de novembro de 2005
Heinrich Hellbrügge 
Em muitos dos países do hemisfério Norte a escolha de vegetais biocombustíveis se restringe à canola, girassol, batata e algumas outras plantas. Por outro lado, o Brasil, além das plantas já citadas, pode contar com a cana-de-açúcar, tanto na região tropical quanto na subtropical. A cana é o vegetal que tem o melhor resultado da pesquisa T 83-036 do Ministério da Pesquisa e Tenologia da Alemanha, ''Proporção do consumo e do resultado calórico de diversos produtos agrícolas''. De acordo com este relatório, o plantador de arroz da Ásia mostra um excelente resultado: obtém 1:25, ou seja, para cada quilocaloria (Kcal) aplicada ele obtém 25 Kcal. O pior resultado pe o da pesca em alto mar (10:1), que parece conflitar com o preço alcançado pelo pescado. Usando os números fornecidos pela Corol Cooperativa Agroindustrial, de Rolândia, calculei os valores para cana-de-açúcar e soja. A cana dá um rendimento de 1:10 e a soja apresenta rendimento de 1:5,4. A soja, portanto, ficando abaixo do resultado alcançado com a cana. Não foi possível obter números concretos relativos ao girassol, motivo pelo qual utilizei valores teóricos que me pareceram os mais plausíveis. De acordo com estes números, o girassol apresenta um rendimento de 1:3,1, o pior dos três produtos analisados.
O excelente resultado obtido com a cana-de-açúcar, na verdade, não é motivo de surpresa porque esta planta, com exceção de algumas semanas após o corte, está sempre em plena atividade fotossintética. Além disso, seja utilizada na produção do açúcar ou do etanol, a cana tem a vantagem de fornecer energia adicional através do bagaço. Isto torna o processo autônomo, isto é, praticamente independente de uma suplementação energética externa. Esta peculiaridade não ocorre na extração de óleos. Um fazendeiro que queira ser autônomo em termos de energia precisa utilizar cerca de 10% da sua área para biomassa. Um pequeno sitiante, que trabalha a terra com a ajuda de cavalos e/ou bois, precisa reservar 20 a 25% da sua área para suprir suas necessidades de energia. Esta discrepância de necessidades, apesar de significante, não é devidamente considerada quando se discute e planeja a reforma agrária no Brasil.
Ao que tudo indica, no futuro,, o álcool obtido da cana-de-açúcar deve adquirir uma importância ainda maior no suprimento de energia do que a já conhecida atualmente. Deveríamos tentar estabelecer a relação energética entre os motores movidos a etanol e os movidos a óleos biológicos. Como o ganho de energia do etanol é muito maior do que o do óleo obtido da plantas, talvez a substituição dos motores diesel por motores movidos a álcool em tratores e caminhões se justifique. A diferença de rendimento destes motores provavelmente pode ser compensada pelo ganho energético obtido na produção dos combustíveis, ou seja, etanol 1:10, soja 1:5,4.
HEINRICH HELLBRGGE é engenheiro e produtor de grãos em Rolândia


