OPINIÃO - Profissionalismo na pecuária
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de novembro de 2004
Paulo de Castro Marques (*) 
A pecuária moderna exige profissionalismo. E não poderia ser diferente. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, o Brasil terá de dobrar sua produção de carne bovina em menos de duas décadas para manter os níveis atuais de consumo per capita, atualmente na faixa dos 35 kg/hab/ano. É um desafio e tanto. Afinal, estamos falando em saltar de 7,8 milhões de toneladas (t) para quase 16 milhões de t/ano. Se não bastasse isso, o mundo já está reconhecendo nossa qualidade, o que nos fez maior exportador do mundo com previsões de encerrar 2004 com 1,7 milhão de t de carne e US$ 2,3 milhões em receita.
A genética assume importância vital nesse processo de profissionalização da pecuária brasileira. Afinal, os animais reprodutores de alta qualidade, precoces, férteis e produtivos são agentes indispensáveis do aprimoramento contínuo da atividade. Mas saber usar a genética é igualmente importante. É preciso ter conceitos bem definidos e, assim, colaborar decisivamente para o crescimento da produção de carne no Brasil. Temos de buscar a melhor genética, onde quer que ela esteja, para multiplicar e colocar à disposição do produtor brasileiro.
É essa diversidade que faz da pecuária brasileira a mais importante atividade agropecuária do País. Nenhum outro país no mundo faz tantas experiências bem-sucedidas com cruzamentos industriais, técnica que une duas linhagens distintas de animais - bos taurus e bos indicus -, como o Brasil. Mas atenção: o cruzamento industrial tem suas limitações e utilizar essa técnica é preciso uma série de informações, principalmente do ponto de vista científico.
A Casa Branca Agropastoril está atenta a isso. Tanto é que investe em diferentes opções genéticas, como o simental - especialmente a linhagem sul-africana, o red angus (essas duas de origem européia ou bos taurus) e o brahman (de origem indiana ou bos indicus). Nossa genética é provada nas pistas e na produção. Da mesma forma, utilizamos as mais modernas técnicas de avaliação de carcaça, seja por ultrassonografia ou testes de performance, objetivando colocar à disposição do mercado os produtos ideais para produção de carne de qualidade.
Na visão da Casa Branca, simental, red angus e brahman são raças ideais para a produção de carne de qualidade. Além disso, geram ótimos produtos nos cruzamentos a campo, proporcionando aumento da produtividade do rebanho brasileiro. A Casa Branca dá, assim, sua colaboração para que o Brasil se mantenha na liderança das exportações de carne, aprimorando a genética disponível no País.
A nossa pecuária está conquistando o seu espaço no cenário mundial. Mas é preciso que não perca o foco em seu diferencial mais relevante e festejado pelos importadores: a diversidade de opções de cruzamento industrial, que proporciona a oferta da carne que o mundo quer, com a necessária espessura de gordura, com maciez e suculência sem igual, com rastreabilidade e certificação de origem.
Precisamos manter o rumo e continuar trabalhando forte para produzir essa carne de qualidade, aproveitando a rusticidade do bos indicus e utilizando cada vez mais o bos taurus. Não devemos esquecer de fazer tudo isso sem perder o foco na pecuária profissional e bem planejada. O Brasil e a pecuária de corte só têm a ganhar.
(*) Pecuarista, proprietário da Casa Branca Agropastoril, em Fama,(MG)


