A volatilidade do mercado, o deságio cambial, as crises internas e as políticas protecionistas externas são fatores que muito pressionam a situação do mercado agropecuário brasileiro. Com isso, nosso produto (fruto de nossos infindáveis esforços) perde competitividade. Vemos, frente a esta miríade de cenários desfavoráveis, a necessidade de, cada vez mais, empregar esforços para o aumento da produtividade. Esta produtividade, ao contrário do que muitos podem pensar, não significa necessariamente aumento de produção, mas aumento de capacidade de produção. Em outros termos: é o aumento de resultados por unidade produzida.
O mercado exige uma produção eficiente (fazendo certo as coisas) e eficaz (fazendo a coisa certa) para permanência do produtor nele. Tanto o cenário agrícola quanto o pecuário exigem do produtor uma atividade cada vez mais enxuta para sua permanência nesse mercado de forma auto-sustentável. Os preços estão baixos; o mercado externo é exigente, exigindo investimento em qualidade, sanidade e rastreabilidade; a situação política interna deprecia a imagem do Brasil para o mercado internacional, diminuindo a confiança nos negócios.
Para o aumento de produtividade é preciso um investimento visando diminuir os erros: diminuir as perdas da produção e garantir sanidade na pecuária. Perdas na produção são perdas de investimento, pois o que foi comercializado pagará por aquilo que não foi comercializado (mas foi produzido). O aumento de produtividade vem, também, através da produção em escala. Com a produção em escala há um aumento de produção sem um aumento de custos fixos diretamente proporcional, aumentando-se assim os resultados.
Para isso, o cooperativismo para produção e comercialização é muito eficaz.
O investimento em tecnologia vem de encontro com essas duas estratégias, garantindo qualidade e maior retorno. Por tecnologia deve subentender-se a biotecnologia (não necessariamente a transgenia, mas melhoramento de sementes, melhoramento genético de matrizes, etc) e a tecnologia de processos (como agricultura de precisão, plantio direto, etc).
Outro importante (senão o mais importante) fator para o aumento da produtividade é o conhecimento. Quanto mais se conhece sobre novas tecnologias, aproveitamento dos recursos naturais, práticas administrativas, e, uma vez empregado esse conhecimento, maior deverá ser o retorno obtido no agronegócio. Esta idéia é endossada por Peter Drucker, o pai da Administração moderna, dizendo que ''o aumento da produtividade só se consegue com a substituição do músculo pelo saber''.
O aumento da produtividade é uma necessidade básica nos negócios de qualquer setor; e no agronegócio não é diferente. Quão menor for o aumento da produtividade, maior será a chance de ter que abandonar o mercado por causa do sucateamento do negócio e da crescente falta de recursos. O produtor não deve gerir seu negócio como seu avô fazia, mas como quer que seu filho faça.
Quem não evoluir, mais cedo ou mais tarde estará fora do mercado. Por isso, agora, mais do que nunca, o produtor rural deve manter-se ativo, produzindo. Deve haver uma quebra de paradigmas: o produtor rural não pode cessar o negócio devido ao fato de o mercado estar sofrendo tensões negativas. O produtor, responsável pelo bom resultado da balança comercial, deve manter seu negócio em atividade, investindo no aumento de produtividade e mostrando a força que tem para alimentar o Brasil.
MYLTON CASAROLI JUNIOR (produtor rural) e MYLTON CASAROLI NETO (administrador de empresas) em Londrina

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