OPINIÃO - Plantio Direto: qualidade de vida ao pequeno produtor
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sexta-feira, 07 de julho de 2006
Márcio Scaléa 
O pequeno produtor tem consciência de que os tempos mudaram e que, para aumentar a produtividade e os ganhos, deve adotar tecnologias que proporcionem melhores resultados. O Sistema Plantio Direto (SPD), já adotado por grandes agricultores do País, é o melhor caminho, por trazer benefícios nunca obtidos com outros sistemas. Na Região Sul, a adoção em pequenas propriedades teve início há alguns anos e os resultados são tão bons que outras partes do Brasil já seguem os pioneiros.
O SPD na pequena propriedade é de fundamental importância para o produtor preservar seu principal ativo, a terra. No preparo do solo e uso do fogo, a palha passa a ser uma aliada, alimentando o solo com matéria orgânica. Mesmo em áreas com declives e em solos mais leves, a erosão é praticamente banida, pois o solo permanece coberto e protegido.
O grande fator limitante para um produtor tem sido o baixo rendimento operacional ao fazer plantio convencional em áreas limitadas. Isto reduz a renda ou por plantio de áreas restritas ou por baixas produtividades ao plantar fora do período ideal. Ao adotar o SPD, o trabalho na lavoura fica mais fácil, reduzindo o tempo do trabalho no campo. O produtor, que usa tração animal, reduz em até 70% o número de horas de trabalho. Considerando um dia útil de 10 horas, para plantar um hectare convencional são necessários mais de sete dias de trabalho pesado. O mesmo hectare no SPD é plantado em pouco mais de dois dias de serviço.
Além do rendimento operacional, o sistema permite o plantio no melhor momento e cultivo de área maior, trazendo melhoria na renda do produtor. O SPD permite que o produtor adote a rotação de culturas e a integração com outras atividades, como a pecuária. Assim, o sistema traz maior produtividade a médio e longo prazos e ocasiona menor ocorrência de poluição e contaminação, pelo controle da erosão.
O SPD é uma tecnologia simples, mas que deve ter alguns cuidados. O produtor deve iniciá-lo com um ano de antecedência, de forma gradual, com a execução da calagem do solo. Recomendações de adubação precisam ser seguidas, sem esquecer da rotação de culturas. Nesse sentido, o milho, feijão e a pecuária têm se mostrado as melhores alternativas.
A adequação do terreno, controle das plantas daninhas, obtenção de boa cobertura morta, cuidados na semeadura e adubação adequada, principalmente para o nitrogênio, são alguns dos itens que vão garantir o sucesso do sistema.
Além dos ganhos com a conservação da terra e aumento na produtividade e renda, o produtor tem uma sensível melhora na qualidade de vida. O esforço físico para preparar e plantar uma lavoura de milho usando tração animal em plantio convencional é muito grande. O agricultor tem de caminhar pelo menos 130,9 km por hectare. No plantio direto, o esforço é reduzido em até 66%, passando para apenas 44,1 km caminhados.
O Sistema Plantio Direto tem inúmeras vantagens em relação ao plantio convencional. A principal é a melhora na qualidade de vida do pequeno produtor. Além disso, com menores custos dentro de sua propriedade, o produtor é beneficiado com economia, rentabilidade e maior produtividade.
* MÁRCIO SCALÉA é engenheiro agrônomo e pesquisa o sistema há mais de 20 anos


