O Sistema Plantio Direto traz inúmeros benefícios à agricultura moderna. Porém, para atingir o sucesso esperado, é fundamental fazer o planejamento das atividades e operações no campo. Uma ação no momento errado pode trazer complicações e levar o produtor de volta aos métodos convencionais.
Os meses de maio a novembro são os indicados para que o produtor tome os cuidados necessários com o solo, a fim de obter uma capacidade produtiva condizente com as expectativas. Eliminar camadas compactadas, corrigir o relevo, a acidez, nivelar os sulcos antigos de erosão e melhorar a fertilidade do solo, são pré-requisitos essenciais na adoção do Plantio Direto.
O rebaixamento de terraços permite que o plantio seja feito sem manobras no meio dos talhões, o que evita a compactação do solo e a queda do rendimento das plantadeiras; e a produção de palhada pelo plantio de uma cultura como o milheto na primavera, gera boa massa ao ser dessecada. O dimensionamento dos talhões, o posicionamento das estradas e a aquisição ou adaptação das plantadeiras para o sistema também são fatores que devem ser considerados. Com isso, evita-se o trânsito fora dos carreadores, fonte de compactação e início de processos de erosão.
Cinco fundamentos devem ser adotados para o sucesso do cultivo pelo Plantio Direto. O primeiro é preparar o solo no momento certo. Uma última descompactação pode ser a diferença entre um bom plantio direto e um ''quebra-galho''.
O segundo é utilizar o herbicida certo, na dose correta, no momento adequado e com tecnologia de aplicação condizente. Uma aplicação de herbicida malfeita, em dose insuficiente ou em plantas sob estresse de seca, vai requerer doses altas de pós-emergentes, o que aumenta o custo.
A obtenção de cobertura morta é o terceiro fundamento que deve ser cumprido. Uma boa palhada ajuda a reduzir custos, evita a infestação de plantas daninhas, diminui o uso de herbicidas e protege o solo contra chuvas, sol e vento.
O quarto fundamento é a utilização de máquinas específicas para cortar a palhada e romper um solo levemente endurecido na superfície. Máquinas dotadas apenas de discos duplos, mesmo cortando bem o solo, podem não promover uma boa movimentação do terreno ao longo da linha de plantio e ocasionar uma compactação lateral no sulco de plantio, o que dificulta o desenvolvimento de plantas recém-germinadas.
O último fundamento é a rotação de culturas, que aumenta a fertilidade do solo ao reciclar nutrientes; diminui o uso de herbicidas ao romper com o ciclo de plantas daninhas e proporcionar alternância de ingredientes ativos; e produz palhadas que protegem contra insetos e servem de abrigo para a multiplicação de organismos antagônicos. Além disso, a rotação de culturas diversifica as atividades na fazenda, contribuindo para reduzir os riscos inerentes à produção agrícola.

MÁRCIO SCALÉA é engenheiro agrônomo e gerente técnico de Plantio Direto e Pastagens da Monsanto

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