Sou agrônomo, comerciante e de família de agricultores. Tenho uma revenda de insumos desde junho de 1989, de maneira que acompanhei bem de perto todo o sofrimento do setor nos últimos 17 anos e sabemos que não foram poucos. O produtor Fábio Soares, de Ibiporã, diz na Folha Rural de 10 de junho que: ''Para driblar a crise é preciso aumentar a produtividade no mesmo espaço de terra e diminuir os custos ao máximo. Só assim para não precisarmos entregar a propriedade aos donos de lojas de insumos''.
Ele está certo. Só que todas aquelas reivindicações que os agricultores fizeram no fechamento das estradas, medidas como juros menores, seguro agrícola, câmbio, investimentos em infra-estrutura, etc., vêm antes. Então, quando o agricultor tiver que entregar sua propriedade para as lojas de insumos, bancos, agiotas, entre outros, ele já está agonizante, na reta final. Creio então que não seria culpa das revendas. Aliás, quando uma revenda recebe uma propriedade em pagamento de dívida ela já passa direto para uma multinacional, para a qual está devendo.
Não é segredo que partem das multinacionais, através das revendas de insumos, uma significativa parcela do crédito usado na agricultura. O produtor vai no banco, onde o crédito nunca é suficiente, e pega o dinheiro para implantar a cultura. Para o tratamento fitossanitário e mesmo para adubação de cobertura já não tem mais recuros e apela para as cooperativas e revendas para chegar ao final da safra. É o famigerado ''prazo safra''.
Quando tudo corre bem, maravilha. Paga todo mundo e já parte para a próxima safra ou safrinha. Quando a coisa 'pipoca', como tem acontecido nos últimos três anos, é um Deus nos acuda. Eu tenho minhas dúvidas se este complemento de crédito feito pelas revendas e cooperativas ajuda ou prejudica o produtor, porque a facilidade em conseguir esses créditos pode levá-lo a plantar uma área maior do que lhe seria seguro em caso de um contratempo. Seria o que chamamos de dar um passo maior do que a perna.
Mesmo que nosso setor conseguisse todas as justas reivindicações que estamos pleiteando junto às esferas federais, além das recomendações do prezado Fabio Soares, eu também sugeriria muito juízo por parte dos produtores na hora de definir a área a ser cultivada, que deve ser de tamanho tal, que, caso algum problema ocorra, a sua segurança não seja posta em risco ao ponto de ter que entregar sua propriedade para quem quer que seja.
HUMBERTO LUIZ ROCCO, é comerciante em Colorado (PR)

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