Para obter sucesso na pecuária de corte, o criador tem de enxergar a fazenda como uma empresa produtora de carne. Digo isso por experiência própria. Na Agropecuária e Comercial Conquista, em São Paulo, fechamos 2003 com índices produtivos positivos: lotação de 1,35 UA na propriedade destinada à cria e 2 UA nas demais, voltadas à recria e à engorda, enquanto a média nacional não ultrapassa 0,55 UA. Lembro que 1 UA (unidade animal) equivale a 450 kg de peso vivo /ha/ano. Um outro indicador econômico importante: a taxa de desfrute do nosso rebanho ultrapassou 50% no ano passado, mais que o dobro da média geral da pecuária.
O resultado é o abate anual de 6 mil animais nelore precoces, pesando 17 arrobas e com 6 mm de espessura de gordura subcutânea, caracterizando padrão de carne tipo exportação, destinada totalmente à União Européia. Atribuo esse resultado ao maciço investimento na pecuária de curta duração. A criação intensiva proporciona qualidade e retorno econômico bem próximo aos da agricultura de precisão. No entanto, requer investimento em tecnologia para se obter a máxima produtividade.
A Conquista foi criada em 1977 pelo produtor Fernando de Arruda Botelho, mas só a partir de 1998 vieram os saltos de produtividade. Associo o crescimento ao planejamento antecipado, reestruturando nossa produção de carne, com a avaliação cuidadosa de todos os elos envolvidos: genética, sanidade, nutrição, manejo e gestão. O resumo desta equação: planejamos hoje o que queremos para daqui a dois anos.
Melhoramento genético Na Fazenda São José (Itirapina/SP) concentra-se o rebanho nelore mocho PO em seleção. Ali são utilizadas modernas técnicas de reprodução, como transferência de embriões e fertilização in vitro. A inseminação artificial é submetida a todo o rebanho de fêmeas. O programa de melhoramento genético avalia rigorosamente as características de ganho de peso, fertilidade, precocidade e acabamento de carcaça. Os bovinos que não correspondem aos índices desejados são descartados. Foi assim que chegamos ao touro Crifor, Grande Campeão Nelore Mocho da Expozebu’2004 aos 36 meses de idade.
Controle sanitário Todo o rebanho é periodicamente vacinado contra doenças economicamente importantes, como aftosa, brucelose, carbúnculo, botulismo e IBR. A vermifugação é feita a cada 90 dias. Nunca esqueça: boi doente é prejuízo no bolso.
Nutrição animal Na Conquista trabalhamos com pressão de pastejo de 6%, o que indica bom desempenho coletivo dos bovinos no consumo de forrageiras. Para garantir a qualidade do pasto, utilizamos irrigação por pivô central, adubação e rotação de pastagens. O rebanho é suplementado com sal proteinado o ano todo, variando a formulação conforme a estação do ano. O gado confinado consome silagem de capim e sorgo, poupa cítrica, sorgo em grão, casca de soja, farelo e caroço de algodão durante 90 dias.
Manejo e Gestão da propriedade Cada fazenda da Conquista tem a sua função específica de produção - cria, recria ou engorda - e é dividida em setores. Na Fazenda São João Batista, em Buritama (SP), por exemplo, são cerca de 30 setores. Cada um deles possui área de descanso, para que o gado não ande mais de 600 m para beber água e consumir sal. A setorização permite controlar os índices de produção da propriedade.
Este planejamento tem proporcionado bons resultados. Os últimos oito anos têm sido os melhores. Tal desempenho coroou nosso trabalho com o Grande Campeonato Nelore Mocho na Expozebu 70 anos, a maior e mais importante exposição agropecuária do Brasil, e o título de Melhor Lote de Carcaça no Circuito Boi Verde’2003, o qual disputamos com 134 propriedades. Esses são os prêmios máximos que a pecuária de corte pode oferecer. Hoje nosso rebanho total é de 15 mil cabeças, sendo 1.000 animais PO em seleção. Nossa meta é crescer 25% ao ano. Sempre com profissionalismo.

(*) Diretor da Agropecuária e Comercial Conquista

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