OPINIÃO - Pão francês com ingrediente brasileiro!
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sexta-feira, 14 de julho de 2006
João Eduardo Pasquini 
Segundo informações divulgadas pelo USDA (órgão equivalente ao Ministério da Agricultura dos Estados Unidos), no mês passado, os estoques mundiais de trigo atingiram os menores níveis que se tem registro. O clima seco vem gerando significativa queda na produção das lavouras norte-americanas e na Argentina, o que tem causado aumento nas cotações internacionais do trigo.
Na Argentina há, ainda, a limitação da exportação de trigo em grão, decretada pelo Governo Kirchner. Com isso, a cotação do trigo argentino deu um grande salto, chegando ao Brasil no valor de, aproximadamente, US$ 195,00.
Devido aos entraves da Argentina, que é o maior fornecedor do Brasil, teremos que comprar o produto em outros países como Estados Unidos e Canadá, pagando caro pela ineficiência de produção do País: em torno de US$ 250,00 a US$ 290,00 a tonelada. Este quadro revela que deveremos ter uma crise de falta de trigo, que afetará o preço final do produto ao consumidor.
A situação fica mais preocupante quando vemos que a dependência brasileira do trigo estrangeiro deverá aumentar, devido à queda na produção interna. O Estado do Paraná, maior produtor de trigo do País, deverá colher este ano 36% a menos, ou seja 1,7 milhões de toneladas (dados da Seab).
Com isso, o Brasil terá de buscar trigo em outros países, aproximadamente 80% do trigo que irá consumir, depositando no caixa dos triticultores estrangeiros mais de R$ 1,5 bilhão, dinheiro que deixará de circular na economia brasileira. Se empregado aqui, estaria contribuindo para a geração de emprego e renda para pequenos produtores brasileiros.
Está mais que na hora do Brasil buscar uma alternativa para reduzir sua dependência do trigo estrangeiro. O projeto de lei, do deputado federal Aldo Rebelo, que prevê a obrigatoriedade de adição de fécula/amido de mandioca na farinha destinada ao pão francês é a alternativa mais viável. Embora desagrade alguns industriais do setor do trigo, que tentam denegrir a imagem do produto, o próprio mercado já comprovou a viabilidade dessa mistura.
No ano 2002, quando faltou trigo no mercado internacional, e os preços aumentaram muito no Brasil, os setores de panificação, macarrão e biscoitos, compraram mais de 250 mil toneladas de fécula/amido de mandioca para adicionar em seus produtos, que foram consumidos em larga escala pelo consumidor brasileiro, e até do estrangeiro, que nunca perceberam qualquer diferença de sabor.
A fécula/amido de mandioca é um produto nobre, de alta qualidade, sem cheiro ou sabor. Ao contrário da farinha de trigo, que contém aditivos químicos, a fécula/amido de mandioca não tem em sua fórmula nenhuma mistura que possa prejudicar a saúde humana, tendo como importante diferencial o fato de ser um produto totalmente natural, que já é utilizado em algumas farinhas de trigo, como a que é destinada às donas-de-casa.
O setor de mandioca, no qual 75% de seus produtores têm áreas com menos de 10 hectares, e gera mais de um milhão de postos de trabalho no Brasil, poderá, com a aprovação deste projeto, contar com mais de 100 mil novos brasileiros envolvidos com a cultura, a partir dos postos de trabalho que propiciará.
O projeto de lei busca o benefício da população brasileira como um todo; ao contrário dos moinhos de trigo, que buscam, através da população brasileira, o benefício próprio.
JOÃO EDUARDO PASQUINI é presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Mandioca e Derivados


