OPINIÃO - Padronizar as carcaças é modernizar a pecuária
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de agosto de 2004
Constantino Ajimasto Jr. (*) 
Não é de hoje que se busca a padronização das carcaças bovinas na pecuária de corte. Em 1970, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne montou um grupo para discutir esse assunto. Quase que simultaneamente, o governo também criou uma comissão técnica para implantar o sistema. Os dois projetos foram engavetados, assim como outras iniciativas nos anos seguintes.
Agora é diferente. A partir de 1º de janeiro de 2005, a classificação dos bovinos abatidos nos estabelecimentos sob Serviço de Inspeção Federal tornar-se-á realidade, tendo como base: sexo e maturidade do animal, peso e acabamento da carcaça. A Instrução Normativa assinada pelo ministro da Agricltura, em maio, informa que a aferição da qualidade dos animais e das carcaças será feita, durante o processo de abate, por profissional credenciado pelo MAPA, às expensas do setor privado, mediante a observação dos parâmetros de sexo (macho ou fêmea), categorias (macho inteiro, macho castrado, novilha ou vaca de descarte), maturidade (dente de leite, dois dentes, quatro dentes, seis dentes ou oito dentes), peso da carcaça, acabamento da carcaça (magra, gordura escassa, gordura mediana, gordura uniforme e gordura excessiva).
A classificação de carcaças é o primeiro passo para termos escala de carne de qualidade. Aliás, isso explica o grande envolvimento da Associação Brasileira do Novilho Precoce (ABNP) no processo de criação do Sistema Nacional de Classificação de Bovinos, que será uma importante ferramenta para o incentivo da produção de carne de padrão superior.
Os pecuaristas não se sentem motivados a investir em qualidade porque não são remunerados por isso. De outro lado, os frigoríficos não pagam mais porque, salvo exceções, recebem bois gordos sem padronização. Com a avaliação obrigatória da carcaça, que será feita de maneira transparente pelo MAPA, o produtor que trabalhar de maneira correta e fornecer boi de qualidade ao frigorífico será beneficiado por isso. O Sistema Brasileiro de Classificação de Carcaças passaria a ser um norteador dos investimentos dos produtores.
O momento atual é mais do que oportuno para falarmos em qualidade e padronização, pois o Brasil assumiu a liderança entre os exportadores de carne bovina. E isso mesmo sem ter o seu padrão de classificação. É fundamental que os pecuaristas estejam atentos às novas regras.
A preparação para o sistema ocorrerá durante todo este ano, permitindo que os pecuaristas façam os ajustes necessários em sua produção e gestão, visando maior rentabilidade no futuro. Atenção, pecuaristas: isso quer dizer que você pode fazer sugestões! Como resultado, haverá melhoria dos índices produtivos, redução do ciclo pecuário e aumento na taxa de desfrute. A indústria também terá a ganhar, pois passará a trabalhar com carne qualificada e catalogada, facilitando o atendimento ao consumidor. Bom, para todos!
(*) Presidente da Associação Brasileira de Novilho Precoce (ABNP)


