Porque faz 10 anos e cinco meses que o Paraná não registra um só foco de aftosa, criadores e governo parece que relaxaram um pouco na guerra contra esta doença. Como, até agora, o problema estava muito distante do território paranaense, tinha-se a impressão de que o perigo já havia passado. Já não mais existe tanta atenção à sanidade animal tal como ocorria anteriormente.
  Este reconhecimento parte do presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, diante da descoberta de novos focos no Mato Grosso do Sul (MS), em municípios próximos à divisa com Paraná, este já afetado pela suspensão das exportações de carne bovina, drástica redução de abates, risco de demissões em massa nos frigoríficos e tendência de preços ainda mais baixos aos criadores.
  Apreensivo, o dirigente rural indaga: ‘‘Será que estamos nos esforçando realmente para assegurar que a sanidade animal e vegetal seja uma conquista permanente? Com o passar do tempo, vendo o perigo parecer estar longe de nosso território, será que não relaxamos a nossa atenção?’’
  Riscos concretos   Argumentando se tratar de questão que envolve tanto governos federal, estadual e municipal quanto produtores e sociedade, Meneguette reconhece: ‘‘Baixamos a guarda. Já não damos tanta atenção à sanidade como durante a guerra contra a aftosa. Governo e produtores precisam retomar seus deveres e, em conjunto, voltar novamente a atuar de forma permanente para manter o status sanitário no Paranᒒ.
  Em sua análise, os focos confirmados oficialmente em municípios matogrossenses próximos às divisas com Paraná, mostram que todo o cuidado é pouco. ‘‘O vírus continua rondando as fronteiras paranaenses. Portanto, contaminar o rebanho bovino estadual é muito fácil. Basta um descuido dos produtores e das autoridades’’, alerta Meneguette.
  O presidente da Faep lembra que o Paraná adquiriu o status de Estado livre de aftosa (com duas vacinações anuais) pela intensa mobilização da iniciativa privada e governo. ‘‘Nossa guerra contra a aftosa começou para valer quando os produtores rurais se conscientizaram de que o zelo pela sanidade animal e vegetal não é apenas uma obrigação de governo, mas também de pecuaristas e agricultores. Estes, por sinal, os maiores interessados, porque dependem de um produto de qualidade para conquistar e manter mercados’’.
  Revitalização   A privilegiada condição de sanidade animal permitiu ao Paraná passar a receita de exportação de carnes bovina e suína de US$ 40 milhões, em 1999, para quase US$ 215 milhões ano passado. Somadas às vendas externas de aves, em 2004 o comércio internacional de carnes paranaenses alcançou aproximadamente US$ 1 bilhão de dólares.
  O presidente da Faep assegura que, embora o trabalho de sanidade animal nos últimos 10 anos tenha sido eficiente, especialmente contra febre aftosa, é fundamental reconhecer que o perigo ainda não passou. ‘‘Continuamos sob o cerco do vírus desta doença. Portanto, não podemos deixar que 10 anos de esforço conjunto sejam comprometidos.’’
  A solução imediata e prática está na revitalização dos 161 conselhos municipais e intermunicipais de sanidade para que estes sejam reativados e mantidos em estado de alerta. Neste contexto, Meneguette pede para o Governo reavaliar o seu papel e redefinir funções e alocações de seus recursos.
  ‘‘O governo federal corta verba orçamentária de uma dotação já ridícula. Mostra que não está interessado em sanidade. Se estivesse – e deveria estar pelo volume de exportações do agronegócio – ao invés de cortar, aumentaria as verbas’’. Meneguete finaliza dizendo que: ‘‘o perigo está às nossas portas. É preciso agir com competência. Caso contrário, nossas perdas serão imensas. O momento é muito grave e exige medidas inteligentes, urgentes e enérgicas’’.( Luiz Carlos Rizzo/ Faep)

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