OPINIÃO - O drama do Trigo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de setembro de 2004
Yochiharu Outuki (*) 
O pão nosso de cada dia tem sinônimo ligado diretamente com o trigo. Cereal abençoado que tem servido a todos os lares brasileiros; tem servido também de palanque político na formação da cesta básica. Componente essencial das misturas de bolos, bolachas e outros quitutes de nossa vasta culinária. Pois é sobre este cereal que desejo esclarecer a população, que nosso produtor não está suportando carregar o fardo sozinho, peso este em que o fiel da balança só pende para um dos lados, dos moinhos, dos fabricantes de insumos.
Temos alguns detalhes a serem considerados:
A) Sendo este cereal de suma importância para a cadeia alimentar e considerando que produzimos aproximadamente 60% do consumo e necessitamos repor com importação os 40%, esse valor restante poderá até chegar ao País mais barato como dizem os moinhos, mas essa conta não está sendo explicada claramente, principalmente porque estamos criando condições favoráveis para o vizinho abocanhar cada vez mais o mercado.
E nosso produtor como fica? Ao relento deste mercado predador, pois exemplo disso é o Vale do Paranapanema onde mesmo com preços mínimos que garantem R$ 50,00/t a mais que o Paraná, os produtores praticamente plantaram somente milho safrinha. Quem sabe é isso que o governo quer, que o produtor deixe de plantar o trigo, caso seja este o caso, que ele seja claro. b) quanto às empresas que fazem parte da cadeia do trigo, será que o interesse das mesmas não está ligado diretamente com o produtor plantando o trigo? Claro que sim. c) É necessária uma política específica para a cadeia do trigo, não somente socorro momentâneo, remendos, caso contrário estaremos vendo o produtor reduzir drasticamente o plantio para a próxima safra.
Resumindo, a colheita desta safra, caso este cenário de preços não mude, terá resultados beirando o prejuízo. Em alguns casos de ataques severos de doenças (brusone), prejuízo consolidado. Ainda dá tempo, a colheita está iniciando no norte do Paraná, vamos tentar fazer algo a essa classe.
(*) Engenheiro Agrônomo e diretor-secretário da Coopramil


