Jota Oliveira
O Paraná foi o maior produtor de café do Brasil, mas nunca foi o melhor. Cafés finos, da melhor qualidade, portanto mais caros, eram restritos ao Sul de Minas e Alta Mogiana (São Paulo). Nessas regiões não chove na época da colheita, o que é um ponto favorável à qualidade do café. No Norte do Paraná é comum chover na colheita, os grãos caem no chão, ardem, perdem qualidade.
Finalmente, anos depois da geada negra de julho de 1975, quando a cafeiculura baseada na quantidade acabou nesta região, surgiu, do trabalho de pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) um novo sistema de cultivo, o plantio adensado. Altamente produtivo, esse sistema foi um sucesso e levou a outra questão: já temos maior produção por área; vamos pensar agora em qualidade.
Esta é a exigência dos novos tempos: qualidade em tudo. É uma procura que se faz nas lojas de qualquer cidadezinha dos confins do Brasil Central ou da Amazônia, às melhores lojas das grandes cidades, em todos os países. E a qualidade chega à nova cafeicultura paranaense, de onde saiu um dos premiados no concurso nacional promovido pela torrefadora italiana YllicaffS, a Fazenda Santa Alice, de Cornélio Procópio. Os prêmios, em nove ou dez anos do concurso, sempre foram obtidos por cafeicultores de Minas ou de São Paulo.
Para estimnular a melhoria do produto paranaense, começou no ano passado o Concurso de Qualidade de Café de Londrina. Nesta semana foram apresentados, no centro de eventos do Iapar, os cinco vencedores do segundo concurso. O engenheiro-agrônomo Francisco Barbosa, do Depaartamento Nacional do Café e coordenador do concurso, diz que os 43 participantes mostraram produto de boa qualidade em bebida e em tipo. Os cafés dos cinco vencedores equivalem aos cafés mineiros e paulistas, obtendo tipos de 4-5 a 5-6.
O modelo de cultivo desenvolvido pelo Iapar também saiu vencedor, pois dos cinco primeiros classificados quatro cultivam o café no sistema adensado. Além disso eles usam as variedades recomendadas para o cultivo adensado: Mundo Novo, Iapar-59 e Catuaí.
A iniciativa de promover o concurso é do ‘‘Grupo Café Londrina’’ e da Secretaria Municipal da Agricultura, que pretendem melhorar a imagem do café paranaense. Essa melhoria de imagem repercute no preço: os cafés premiados no concurso valem no mercado de 20 a 25% mais.
Venceram o 2º Concurso de Qualidade de Café de Londrina os produtores Luiz Takao, Kasuo Moriya, Alfeu Sebastião Bessa, Sussumo Takegani e Antônio J. Brito.
O autor é editor da Folha Rural.

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