Há mais ou menos uma década, quando alguns empresários decidiram investir em avestruz no Brasil, era comum a discussão em torno da viabilidade econômica da empreitada. Afinal, sempre é difícil iniciar um negócio novo. Mas, esses pioneiros enxergavam longe e vislumbravam uma atividade promissora, de muito potencial. Estavam certos.
A associação de tecnologia e profissionalismo dos criadores com as perfeitas condições climáticas e geográficas do Brasil para a estrutiocultura possibilitou rápido crescimento do mercado de avestruzes, que hoje vive período de grande expansão.
Completando dez anos em 2005, a estrutiocultura brasileira apresenta taxa de crescimento fantástica, estimada em 50% ao ano. Com isso, nosso país já é o quarto produtor mundial, atrás de África do Sul, Austrália e Israel. Além disso, o plantel nacional de avestruzes dá saltos seguidos, já se aproximando de 200 mil animais, segundo dados da Associação de Criadores de Avestruz no Brasil (ACAB). E mais: de acordo com a entidade até o final do ano este montante poderá até dobrar!
Esse desempenho fantástico decorre do trabalho realizado por praticamente todos os projetos, inclusive a Fazenda Pé Forte, de formação de plantel, a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos. Aqui vale uma informação adicional aos incrédulos, que não entendem porque não há volume de carne de avestruz à disposição do consumidor brasileiro: a estrutiocultura ganhou força nos EUA no início da década de 70, mas o abate em ritmo comercial começou apenas em 1995. Ou seja, teremos, sim, carne de avestruz no Brasil daqui há alguns anos.
Considero o atual momento uma nova e produtiva fase da estrutiocultura brasileira. Os criadores têm consciência da necessidade de sermos mais produtivos e eficientes. Novamente utilizando dados da ACAB, antes do final da década a venda de carne da ave terá dimensão industrial no País. Para isso, é fundamental termos um plantel de 150 mil fêmeas de produção e um rebanho total de mais ou menos 350 mil cabeças. Estamos chegando lá.
Esse planejamento permite prever que o preço final da carne tende a cair. Estimo que em dois ou três anos, o produto já seja comercializado em torno de R$ 30,00 o quilo, cerca de 50% menos do que hoje. A longo prazo, esse valor deverá cair ainda mais.
A exportação é o outro segmento a considerar. A carne e o couro de avestruz têm grande aceitação no mercado internacional: a carne por seu sabor, maciez e baixo teor de gordura; o couro por ser diferenciado e exótico, ter design próprio e qualidade. Aliás, a demanda internacional pela carne e couro de avestruz é grande, o que se torna um componente fundamental para a atividade. Mas, fica o alerta de sempre: precisamos nos organizar para atender os clientes externos, com padrão e constância.
Nesse sentido, parceria é a palavra de ordem da estrutiocultura. A união e o entrosamento dos projetos de criação, abatedouros, fabricantes de insumos e demais empresas que atuam na atividade é fundamental para fortalecer toda a cadeia produtiva. Sim, a atividade ainda está em fase de estruturação, mas se todos os elos se unirem, cada um em sua especialidade, será possível crescer mais rápido e organizadamente e atender as necessidades do mercado.
Vejam que essa não é uma exigência da estrutiocultura nacional. Diretores da poderosa empresa sul-africana Klein Karoo, que abocanha 70% do mercado mundial de produtos de avestruz, com exportações de 5 milhões de toneladas/ano, vieram ao Brasil em fevereiro. Missão: procurar parceiros para fomentar a exportação de carne, especialmente para a União Européia.
(*) Diretor da Fazenda Pé Forte, de Minas Gerais

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