OPINIÃO - Monitoramento é a melhor arma contra a ferrugem
A ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é uma doença relativamente nova no Brasil que vem preocupando os agricultores e se constitui em um desafio para a pesquisa. É considerada como uma das mais agressivas para a cultura, podendo ser observadas reduções de produtividade de até 70%, quando comparadas lavouras tratadas e não tratadas.
Nesta safra, já foram identificados seis focos no Paraná, sendo cinco em plantas de soja voluntárias e um em unidade de alerta. Entretanto, a ocorrência desses focos não garante que a doença vá aparecer nas lavouras comerciais. A principal recomendação é que o produtor fique alerta para a situação na sua região e monitore a lavoura constantemente para entrar com a medida de controle na hora certa, evitando assim reduções de produtividade.
Os sintomas iniciais da doença são pequenas pontuações escuras nas folhas. Como a soja apresenta diversas doenças com sintomas semelhantes, para haver certeza da presença da ferrugem, recomenda-se observar o verso das folhas suspeitas com o auxílio de uma lupa. No verso das folhas, nos locais correspondentes às pontuações, podem ser observadas saliências castanho claras, que são as estruturas de reprodução do fungo (urédias).
Para auxiliar no combate à doença, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento formou, em setembro de 2004, o Consórcio Antiferrugem, que já conta hoje com 66 laboratórios de diagnose espalhados nas principais regiões produtoras. Nesses locais, o agricultor e a assistência técnica podem receber o auxílio para a correta identificação da doença.
As condições climáticas que favorecem o desenvolvimento da ferrugem são temperaturas noturnas amenas e presença de água na superfície das folhas, como orvalho ou precipitações bem distribuídas ao longo da safra. Períodos quentes e secos desfavorecem a ocorrência da doença. Em função da eficiente disseminação pelo vento, é importante estar atento para a ocorrência da ferrugem em lavouras vizinhas. O Consórcio Antiferrugem disponibiliza no site da Embrapa Soja (http://www.cnpso.embrapa.br/alerta/) informações atualizadas sobre os focos na safra.
Embora ainda não existam cultivares resistentes, o produtor dispõe de ferramentas eficientes para seu controle, através da utilização de fungicidas. O monitoramento das lavouras é recomendado a partir da emissão das primeiras folhas no estádio vegetativo, uma vez que a doença pode ocorrer em qualquer estádio da cultura, embora exista maior probabilidade dos sintomas serem observados a partir do florescimento. Primavera do Leste, MT, tem se constituído exceção a esse padrão, uma vez que já nesta safra foram observados sintomas no estádio vegetativo, em lavouras comerciais. No Paraná, até o momento, todas ocorrências foram registradas após o florescimento.
A aplicação do fungicida deve ser feita após a constatação dos sintomas iniciais da doença, na lavoura ou na região, ou preventivamente. A decisão sobre o momento da aplicação deve ser técnica, levando em conta os fatores necessários para o aparecimento da ferrugem (presença do fungo na região, idade da planta e condição climática favorável), a logística de aplicação (disponibilidade de equipamentos e tamanho da propriedade), a presença de outras doenças e o custo do controle. O atraso na aplicação, depois de constatados os sintomas iniciais, pode acarretar em redução de produtividade, caso as condições climáticas favoreçam o progresso da doença.
CLÁUDIA GODOY é fitopatologista da Embrapa Soja





