Em 2006, as lavouras cultivadas com plantas geneticamente modificadas (GM) alcançaram 102 milhões de hectares, representando um acréscimo de 13% em relação ao ano anterior, segundo dados do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa). O milho transgênico, com 25,2 milhões de hectares cultivados no mundo, é uma das plantas que mais contribuiu para esse aumento. Ao todo, 35 variedades GM de milho são cultivadas no planeta, a espécie de planta com maior número de eventos genéticos aprovados.
Tal fato ocorre tanto em grandes e tradicionais produtores de transgênicos, a exemplo dos Estados Unidos, Argentina e Canadá, bem como na Europa, onde estão os países considerados mais restritivos ao uso da biotecnologia. Seis países europeus já cultivam milho transgênico: Espanha, França, República Tcheca, Portugal, Alemanha e Eslováquia. Embora a área plantada nesses países ainda seja pequena, a previsão é de crescimento para os próximos anos. Já no Brasil, três variedades utilizadas em outros países ainda aguardam a aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), cujos membros devem se reunir no início de fevereiro tendo em pauta mais uma vez a avaliação do milho GM.
Variedades de milho resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas são cultivadas há diversos anos e não há registros de danos ao meio ambiente ou à saúde humana e animal. Pelo contrário, as pesquisas científicas indicam melhoria das condições ambientais devido ao uso racional dos produtos químicos para controle de pragas e de ervas daninhas. Igualmente não foram verificados cruzamentos indesejados de milho transgênico com cultivos convencionais. Estes resultados atestam que a coexistência entre transgênico e não-transgênico é perfeitamente possível, se observadas as condições de isolamento determinadas para o plantio de tais variedades.
Além da melhoria da qualidade de vida dos produtores rurais, as variedades resistentes às pragas são benéficas porque reduzem também a contaminação das plantas por micotoxinas, que efetivamente representam perigos à saúde humana e animal. Por fim, as variedades de milho GM foram analisadas quanto à sua composição e seu potencial alergênico, não sendo detectadas diferenças em relação às opções convencionais. Por sinal, o milho transgênico foi consumido em diversas ocasiões no Brasil, quando as importações foram autorizadas devido à falta do produto no mercado nacional.
Apesar da quantidade extraordinária de estudos - realizados em diversas instituições de pesquisa no mundo inteiro - que atestam a segurança ambiental e alimentar das variedades GM, e mesmo com a posição favorável da comunidade científica nacional, os produtores brasileiros ainda aguardam a oportunidade de se beneficiarem do uso da biotecnologia. Das três variedades que esperam pela liberação da CTNBio, duas apresentam resistência a herbicidas e a terceira possui resistência a insetos.
Contudo, diversos artifícios jurídicos de obstrução estão sendo usados como última tentativa daqueles que fazem continuada oposição ideológica à biotecnologia. A biossegurança dos transgênicos é uma exigência que vêm sendo atendida regularmente. Porém, deve ser igualmente cobrada desses opositores a responsabilidade dos impactos negativos causados aos produtores rurais, ao meio ambiente, ao desenvolvimento tecnológico e à economia do País.

MARCELO GRAVINA DE MORAES, é engenheiro agrônomo, Ph.D. em Fitopatologia, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB)

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