OPINIÃO - Milho transgênico: injustificada demora
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Marcelo Gravina de Moraes 
Em 2006, as lavouras cultivadas com plantas geneticamente modificadas (GM) alcançaram 102 milhões de hectares, representando um acréscimo de 13% em relação ao ano anterior, segundo dados do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa). O milho transgênico, com 25,2 milhões de hectares cultivados no mundo, é uma das plantas que mais contribuiu para esse aumento. Ao todo, 35 variedades GM de milho são cultivadas no planeta, a espécie de planta com maior número de eventos genéticos aprovados.
Tal fato ocorre tanto em grandes e tradicionais produtores de transgênicos, a exemplo dos Estados Unidos, Argentina e Canadá, bem como na Europa, onde estão os países considerados mais restritivos ao uso da biotecnologia. Seis países europeus já cultivam milho transgênico: Espanha, França, República Tcheca, Portugal, Alemanha e Eslováquia. Embora a área plantada nesses países ainda seja pequena, a previsão é de crescimento para os próximos anos. Já no Brasil, três variedades utilizadas em outros países ainda aguardam a aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), cujos membros devem se reunir no início de fevereiro tendo em pauta mais uma vez a avaliação do milho GM.
Variedades de milho resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas são cultivadas há diversos anos e não há registros de danos ao meio ambiente ou à saúde humana e animal. Pelo contrário, as pesquisas científicas indicam melhoria das condições ambientais devido ao uso racional dos produtos químicos para controle de pragas e de ervas daninhas. Igualmente não foram verificados cruzamentos indesejados de milho transgênico com cultivos convencionais. Estes resultados atestam que a coexistência entre transgênico e não-transgênico é perfeitamente possível, se observadas as condições de isolamento determinadas para o plantio de tais variedades.
Além da melhoria da qualidade de vida dos produtores rurais, as variedades resistentes às pragas são benéficas porque reduzem também a contaminação das plantas por micotoxinas, que efetivamente representam perigos à saúde humana e animal. Por fim, as variedades de milho GM foram analisadas quanto à sua composição e seu potencial alergênico, não sendo detectadas diferenças em relação às opções convencionais. Por sinal, o milho transgênico foi consumido em diversas ocasiões no Brasil, quando as importações foram autorizadas devido à falta do produto no mercado nacional.
Apesar da quantidade extraordinária de estudos - realizados em diversas instituições de pesquisa no mundo inteiro - que atestam a segurança ambiental e alimentar das variedades GM, e mesmo com a posição favorável da comunidade científica nacional, os produtores brasileiros ainda aguardam a oportunidade de se beneficiarem do uso da biotecnologia. Das três variedades que esperam pela liberação da CTNBio, duas apresentam resistência a herbicidas e a terceira possui resistência a insetos.
Contudo, diversos artifícios jurídicos de obstrução estão sendo usados como última tentativa daqueles que fazem continuada oposição ideológica à biotecnologia. A biossegurança dos transgênicos é uma exigência que vêm sendo atendida regularmente. Porém, deve ser igualmente cobrada desses opositores a responsabilidade dos impactos negativos causados aos produtores rurais, ao meio ambiente, ao desenvolvimento tecnológico e à economia do País.
MARCELO GRAVINA DE MORAES, é engenheiro agrônomo, Ph.D. em Fitopatologia, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB)


