Quando um grupo de tecelões de Rochdale inaugurou, em 1844, o primeiro armazém da sua cooperativa de consumo como alternativa de abastecimento a menor custo, os comerciantes riram da modesta iniciativa. Afinal, que perigo poderia representar um tosco armazém, mal abastecido, localizado numa rua secundária da cidade industrial?
No entanto, apesar do início modesto, o grupo sabia que só através da economia solidária e da persistência poderia iniciar um empreendimento que os libertaria do jugo nefasto do capitalismo. Assim, a cooperativa alcançou um crescimento inesperado, tornando-se referência para um movimento que se espalhou pelo mundo.
Na década de 90, no Paraná, repete-se uma situação que tem alguma similaridade com a experiência de Rochdale. As dificuldades impostas pelos planos econômicos forçaram o desaparecimento, entre dezenas de empresas, também de algumas cooperativas agropecuárias, deixando seus integrantes reféns, novamente, de empresas que ficariam com a parte principal da receita do seu trabalho como agricultores. Eles poderiam adotar uma postura de crítica ao sistema e às lideranças que não tiveram competência de sobreviver aos anos difíceis. No entanto, optaram por começar tudo de novo.
Assim surgiu, em 1995, a Cooperativa Integrada. Sem crédito, com a imagem do sistema desgastada por alguns exemplos de insucesso, o grupo mantinha o ideal de que a união poderia dar asas a um novo sonho. Assim, utilizando a persistência e a solidariedade como combustível, o pequeno grupo, no começo dezenas de pessoas, depois centenas, multiplicou-se até chegar às milhares.
Hoje, a Cooperativa Integrada tem uma participação expressiva na economia do Estado com resultados econômicos e sociais aos associados e às comunidades da sua área de ação. Em dez anos implantou inúmeras unidades de recepção, indústrias e consolidou ações na área social e ambiental, demonstrando ter compromisso com o desenvolvimento sustentável. Com receita de R$ 1 bilhão por ano, está entre as maiores cooperativas e empresas paranaenses, sendo a 43maior do Sul.
Essa é uma das dezenas de lições que o cooperativismo nos dá, demonstrando o quanto é possível alterar situações de pobreza, de exploração do trabalhador pelos exageros do capitalismo e da falta de opções de crescimento.
As cooperativas paranaenses detêm, hoje, 55% do PIB agropecuário e 18,2% do PIB total do Paraná, o que demonstra a sua importância no contexto do desenvolvimento.
As cooperativas são o exemplo vivo da organização de pessoas visando alcançar um determinado objetivo econômico ou social. A força e determinação dos agricultores que acreditaram que era possível somar para fortalecer seus negócios são o exemplo de sucesso da Cooperativa Integrada.
JOÃO PAULO KOSLOVSKI é presidente do Sistema Ocepar

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