OPINIÃO - Lições americanas para se vender mais carne bovina
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de dezembro de 2005
Leandro Bovo 
Nas vésperas do natal de 2003, o papai Noel trouxe um presente inesperado para os americanos: a confirmação do primeiro caso de vaca louca nos EUA. Sem sombra de dúvidas, o dano potencial de um caso de vaca louca é muito maior para a indústria da carne bovina de um país do que a febre aftosa, porém o produtor americano não sentiu muito os estragos causados pela doença. Isso se deu em grande parte devido a atuação da entidade responsável pelo marketing da carne bovina americana, que realizou um trabalho extraordinário conseguindo manter o consumo americano semelhante ao da era pré vaca louca.
A promoção da carne bovina nos EUA fica a cargo do Cattlemen's Beef Promotion and Research Board, algo como Conselho de Promoção e Pesquisa da Carne Bovina, entidade criada em 1985. Ela é custeada pela cobrança do chamado ''checkoff'', que é uma taxa de US$ 1 de cada animal comercializado. A ''Beef Board'', como é conhecida, existiu em caráter experimental por um período de 22 meses, após o qual foi realizado um plebiscito com os produtores para decidir sobre a continuidade ou não da cobrança do ''checkoff''.
No período de 1987 até o primeiro trimestre de 2000, a contribuição dos produtores para o programa totalizou US$ 968 milhões, dos quais foram gastos aproximadamente US$ 337 milhões em promoção direta da carne bovina e US$ 100 milhões em informação ao consumidor e à indústria. Metade do dinheiro gasto com promoção foi para campanhas televisivas e o dinheiro destinado à informação foi usado na impressão e distribuição de uma grande variedade de material impresso.
Usando esses dados de aumento do consumo de carne, pôde-se determinar o aumento da demanda de animais vivos. Assim, usando-se conversões aceitas pela indústria frigorífica, a carne vendida pode ser transformada em peso de animais vivos determinando-se assim o aumento da demanda.
De 1987 até o primeiro trimestre de 2000, a renda dos produtores foi de US$ 321,18 bilhões, descontando-se desse valor o aumento de consumo proporcionado pela promoção, essa renda cairia para US$ 314,72 bilhões, dessa forma pode-se afirmar que o ganho dos produtores com a promoção de seu produto foi de US$ 6,46 bilhões no período.
Por meio desses exemplos, podemos ter idéia de como uma campanha de informação e promoção bem conduzida pode ter impacto muito significante nos negócios de todas as pessoas envolvidas na cadeia produtiva da carne bovina. É claro que as realidades sócio-econômicas de Brasil e EUA são muito diferentes, porém diante da possibilidade do mercado interno brasileiro ter que absorver a carne que deixou de ser exportada devido ao foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, é necessário que comecemos a fomentar o consumo de carne bovina mais agressivamente e em matéria de agressividade nos negócios, acredito que o melhor modelo no mundo seja realmente os EUA.
LEANDRO BOVO é gerente administrativo do Serviço de Informação da Carne (SIC)


