OPINIÃO - Impasse na rastreabilidade
Desde a criação do Sisbov, em janeiro deste ano, a rastreabilidade vem ocupando abundante espaço na mídia, mas o processo não avança. O funcionamento é confuso porque as partes envolvidas não definem seus papéis. Há uma queda de braços para ver quem (não) banca o ônus dessa exigência do mercado.
O certo é que os frigoríficos não querem perder a chance de aumentar o volume exportado. Querem continuar recebendo animais rastreados e que os pecuaristas assumam os investimentos para isso. A indústria alega que já investiu no seu processo interno de garantia de qualidade exigido pelos compradores estrangeiros.
No meio dessa ''guerra de forças'' está o Governo, tentando atender todos os setores da cadeia para manter as exportações. Em alguns Estados as certificadoras têm conseguido convencer o setor de carnes da importância do rastreamento. Em outros, indústrias estão assumindo os custos (caso do Paraná). Não se sabe até quando vai essa ''guerra de forças'' e se novas mudanças deverão ocorrer.
Nos últimos meses muitas mudanças foram incluídas nesse processo. Em outubro o Mapa prorrogou o prazo de 15 dias de identificação para abate devido a dificuldades dos frigoríficos em conseguir animais rastreados neste prazo. Inicialmente o prazo seria 1º de outubro e depois passou para 10 de novembro.
Na primeira quinzena de novembro os frigoríficos apresentaram proposta ao Mapa pedindo novas alterações no prazo para a certificação de origem do gado. O objetivo seria garantir a oferta de animais para abate. A proposta teve apoio da Associação Brasileira das Indústrias Exportadores (Abiec).
A proposta da Abiec é de que a exigência se limite à inscrição e identificação do animal dentro da propriedade e não seja mais cobrado o prazo mínimo de 15 dias. Com isso, estaria garantido o controle sanitário dos animais, sem prejudicar o abastecimento.
Na semana passada foi veiculado na internet que o Governo teria cedido ao apelo das indústrias, revogando o prazo de 15 dias e estipulando que nas GTAs fosse comprovado também que a brincagem dos animais e a adesão ao Sisbov teria que ser feita na propriedade e não mais nos currais de algumas indústrias. No SIF, segundo informações dos técnicos, nada foi avisado sobre alterações e, portanto, os funcionários estão trabalhando com a orientação anterior: é preciso comprovar que o animal foi identificado 15 dias antes do abate.
O problema não são os prazos, mas os custos para a identificação. Como a adesão ao rastreamento é voluntária, os pecuaristas querem que os frigoríficos paguem a mais por animais identificados, bancando parte dos custos do processo. E ''guerra de forças'' continua, sugerindo que o setor não quer evoluir.





