OPINIÃO - Há 35 anos participando do desenvolvimento da agricultura
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de dezembro de 2006
Oswaldo Calzavara 
As dificuldades atuais da agricultura são grandes, porém, maior ainda é sua capacidade histórica de recuperação. É a bravura da nossa gente rural!
Gente que não cansa de reagir, que se organiza, que muda os sistemas de produção, demonstrando o dinamismo do setor, se adaptando no contexto da sociedade moderna.
E a agricultura paranaense é o exemplo mais típico desse dinamismo. Basta verificar os acontecimentos dos últimos 35 anos, por exemplo, ou seja, de 1971 para cá.
A mecanização agrícola foi a locomotiva das mudanças, desencadeando verdadeiras revoluções no setor, como a evolução na conservação dos solos. Uma mudança que se iniciou com a construção dos murunduns e a sistematização das estradas, chegando ao sistema de plantio direto.
A pesquisa é outro exemplo, com a criação e consolidação de institutos, como o Iapar e a Embrapa, além das universidades.
A agroindustrialização hoje é uma das grandes marcas do Paraná moderno. Em 1971 cooperativas como a Cocamar e a Corol, eram praticamente cerealistas, e a Coamo estava apenas no começo. Sem falar de outras pequenas cooperativas que nem existiam, e que hoje exportam frangos para o mundo.
E a agroecologia? Não era vista com seriedade, mas como coisa de agrônomo contestador. Hoje é uma realidade, em nível de campo, nos institutos de pesquisa, no mercado, principalmente no mercado internacional, com destaque para o Paraná.
Há motivos para otimismo! Há motivos para comemorações, sim!
Mas por outro lado, muitos problemas continuam a desafiar inteligências: a política econômica, a pobreza rural, a questão fundiária, a degradação ambiental. Sinal de que a luta deve continuar... Inclusive para nós, os agrônomos que vamos comemorar os 35 anos de formatura.
Nós, engenheiros agrônomos da Turma 1971, da Universidade Federal do Paraná, participamos efetivamente dessas mudanças. A turma do Cinquentenário da Agronomia da UFPR, lá do Juvevê, em Curitiba, quando a rua da Escola ainda era de barro... e quando estudantes eram presos e torturados por discordarem do governo.
Tudo valeu a pena! Está valendo a pena participar dessa grande aventura que é VIVER.
Participar, se envolver, transformar, lutar para melhorar.
Valeu, e vale a pena somar com a nossa brava gente do campo!!
OSWALDO CALZAVARA, de Londrina, é um dos 100 agrônomos que integram a turma de formandos de 1971


