Opinião - Falta milho para avicultura
OPINIÃO
Falta milho para avicultura
A colocação de palavras no papel para a expressão da negra realidade que assola a classe avícola, é determinada pela fuga das boas palavras, ficando apenas as marcas negativas nesta área da economia nacional.
Setor destinado à produção da proteína animal mais barata e de qualidade, os ovos, apresenta dados de retração neste momento quando tentamos levantar a produção nacional nos mais diferentes setores. Em função disto, traz consigo os traumatismos sociais referentes a mão-de-obra, pois esta tendência não pára por aqui, já que o custo da matéria-prima está elevado, em comparação aos anos anteriores. A elevação desde a desvalorização cambial ocorrida em fevereiro deste ano, desestrutura a classe produtora.
Cúmplices pela descapitalização imposta ao setor pela implantação do Plano Real, a avicultura nacional agora é abandonada ao mercado que apresenta o milho, que compõe 60% das rações, em patamares de custo nunca antes visto em nosso País, e para afirmar isto não é necessário citar fonte alguma. Basta que se consulte a Conab, órgão que neste momento deveria estar ao lado de quem demanda por milho, e infelizmente não é isto que estamos sentindo na prática, devido à nova política adotada pela mesma.
Em anos anteriores era oferecida aos produtores a quantidade do produto em função de sua capacidade de alojamento; hoje são oferecidos apenas 10.000 quilos, independentemente do seu alojamento. Esta nova medida é injusta, pois há produtores que não precisam dessa quantidade, enquanto para outros ela chega a ser irrisória. Nesse mercado negro há quem compre o que é oferecido e o excedente é revendido claro que a preços superiores.
Conhecemos a realidade dos estoques nacionais, que vêm diminuindo desde 1995, porém sermos abandonados não é justo, pois quando Santa Catarina e Rio Grande do Sul precisaram do produto, de imediato foram transferidos os estoques do Paraná para esses Estados. Não queremos acusar, mas precisamos de soluções como, por exemplo, em anos anteriores os leilões começavam aparecer em setembro e já estamos em novembro e poucos aconteceram, e quando há, a disponibilidade do local para retirada se torna inviável devido aos custos de transporte e também aos impostos (ICMS).
A necessidade é grande, assim como as dificuldades, porém juntos podemos estudar algumas possibilidades, ou, pelo menos, nosso direito de gritar por socorro se faz neste País democrático, e auxílio a esta classe produtora se refletirá em termos sociais e econômicos.
Pedimos que seja analisada com maior cautela a venda de milho em balcão, como também os leilões (direcionados), para que seja atendida a capacidade produtiva, e destinada aos produtores especificamente, pois estes não possuem capacidade de competição com as indústrias.
Reivindicamos também maior frequência dos leilões e disponibilidade de retirada no Paraná, ou então, que seja revista a incidência de ICMS, até mesmo porque muitos produtores possuem crédito de ICMS e não podem utilizá-lo para esse tipo de operação.
A falta do produto é a nível nacional; por isto poderá caber nesses patamares a importação do produto efetuada pelo Governo, pois para que os produtores se unam para realização dessa tarefa, sabemos que não há tempo devido os fatores burocráticos.
A atividade avicultura de postura ocupa o segundo lugar na classificação nacional, e para que nosso Estado continue neste ranking fazem-se necessárias medidas urgentes, para que possamos alimentar nossas aves.
Este texto foi assinado por produtores, representantes da categoria no Norte do Paraná, com apoio da da Associação Paranaense de Avicultores (Apavi).





